Um milhão de assinaturas. É o que é preciso para garantir a inclusão da pedofilia como crime no código penal brasileiro. Segundo a sargento Tânia Mara Guerreiro, coordenadora do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência da Polícia Militar (Proerd), pedofilia ainda não é crime no Brasil.
''Os pedófilos são enquadrados por crime de violência sexual presumida, estupro, e cumprem pena que varia de seis a dez anos. Com o abaixo-assinado queremos que o Cogresso caracterize a pedofilia como crime e imponha pena mínima de 30 anos para o agressor'', disse a sargento.
Ela tem 25 de experiência no combate a pedofilia e desaparecimento de crianças e já participou de ações internacionais pela Interpol em vários países da Europa, Ásia e América. Ontem, ela esteve em Londrina, onde ministrou uma palestra para profissionais que trabalham diretamente com crianças, no anfiteatro do Centro de Ciências Humanas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Hoje, uma nova reunião acontece no mesmo local, a partir das oito horas.
''É impossível reconhecer um pedófilo'', avisou Tânia. Segundo ela, o agressor é quase sempre um pai de família amoroso e trabalhador, com bons relacionamentos na comunidade onde vive e nos lugares que frequenta. ''Você pode conviver com ele e nem perceber.''
De acordo com a sargento, 80% das ocorrências de pedofilia no Brasil acontecem dentro do ambiente familiar. No Paraná, 67% dos casos em ambiente doméstico são praticados por padrastos. Outros 20% pelos pais e o restante por tios, padrinhos, avôs e estranhos. ''A cada oito minutos uma criança é abusada no Brasil'', apontou Tânia, ressaltando que na Região Metropolitana de Curitiba são registrados quatro casos por dia de pedofilia.
Conforme definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), a pedofilia quer dizer perversão sexual e envolve adultos a partir dos 16 anos que abusam de crianças com até 13 anos de idade. ''A prática da pedofilia gera, anualmente, US$ 5 bilhões em todo o mundo'', calculou a sargento.
As mulheres representam apenas 10% dos pedófilos e somente 5% dos agressores pedem ajuda, ''mas a maioria nunca termina um tratamento'', informou Tânia. ''Ele só pára de agir na prisão e mesmo assim, quando solto, muitos voltam à ativa 48 horas depois de deixar o cárcere.''
O aparecimento dos primeiros pêlos no corpo e dos seios são algumas das características que chamam a atenção dos agressores. Ele têm absoluto domínio sobre as vítimas e sentem prazer em espancar. São pacientes e podem demorar anos até concluir o ato sexual com a vítima. Segundo a sargento Tânia Guerreiro, os pedófilos usam qualquer artíficio para conseguir o que querem. ''Eles costumam filmar ou fotografar as crianças para poder se masturbar quando não estão em contato com os pequenos.''
Segundo Tania, até os cinco anos, as crianças podem confundir o abuso com um carinho; algumas, se não forem mais abusadas, até esquecem do acontecido. ''Mas a partir dos seis anos elas passam a entender que o que acontece é errado e ficam traumatizadas''.

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