A América Latina Logística (ALL) realizou na manhã de ontem uma campanha para conscientizar os moradores de Ibiporã sobre os cuidados necessários para atravessar a linha férrea. A campanha faz parte de um programa iniciado em 2001, e, em Ibiporã, foi motivada principalmente por um acidente ocorrido na passagem de nível (cruzamento da rodovia com a ferrovia) da Rua Rafael Belloni, quando um caminhão colidiu com um trem da empresa. A campanha foi realizada nesse cruzamento, por integrantes do Amigo da Comunidade (programa de voluntariado da companhia) e policiais militares, que entregaram materiais informativos como folders livretos para crianças. O projeto já passou por diversas cidades norte-paranaenses, como Sarandi, Cornélio Procópio e Apucarana. Hoje, a campanha acontece em Rolândia.
''Nós queremos prevenir os acidentes na linha férrea com esta campanha, visando quem transita no dia-a-dia no local'', explicou Valter Tomazetti, técnico de segurança da ALL, complementando que, depois de acionado o freio de emergência, um trem pode precisar de até 600 metros para parar completamente. Tomazetti lembrou ainda que não parar o veículo antes de cruzar a linha férrea é uma infração gravíssima, com perda de 7 pontos na Carteira de Habilitação e multa de R$ 191,54.
''Não moro aqui nem costumo cruzar linhas de trem, mas sei que é importante parar. Mas acho que a maioria não respeita. Às vezes o trem até está perto, e a pessoa acha que dá tempo'', afirmou o comerciante Gilson Quintino, que, até então, não sabia da multa para quem atravessa sem parar. Já o motorista Ademir Cândido disse cruzar a linha férrea cerca de dez vezes por dia, e, por isso, estar habituado a parar. ''Mas falta sinalização. Tem gente que vê que não tem placa e acha que não precisa parar'', observou.
Para o também motorista Antônio Luiz, que mora perto da linha férrea, além da sinalização, falta uma melhor adequação da rua no local do cruzamento. ''Nós precisamos de uma passagem melhor. Tem bastante terreno aqui, dava para dar mais espaço tanto para os carros quanto para os ciclistas e pedestres. Não precisa nem ser asfalto, mas não queremos esperar acontecer um acidente para que se tomem providências'', reivindicou.
Mãe de cinco filhos, a dona de casa Claudinéia Vieira de Souza também mora perto do cruzamento, e se disse temerosa pela segurança das crianças, que precisam atravessar a linha de trem para ir à escola. ''Já foi levado um abaixo-assinado para a prefeitura, para que se melhorasse a passagem aqui, mas o prefeito disse que não tem dinheiro'', contou, acrescentando que, do modo como está hoje, as crianças muitas vezes passam muito próximas aos carros. ''Além disso, à noite tem gente que fica fazendo cavalo-de-pau aqui neste espaço'', denunciou.
Tomazetti ressaltou que as vias públicas próximas à linha férrea são de responsabilidade da prefeitura, mas garantiu que a sinalização do local seria instalada entre ontem e hoje.

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