Curitiba

Kraw PenasAgitoEm Curitiba, campanha na Praça Osório procurou estimular prevençãoO número de casos de Aids entre crianças de zero a 13 anos vem crescendo na mesma proporção dos casos de contaminação de adultos no Brasil, diminuindo a faixa etária de incidência do vírus. Somente no Paraná, já são oficialmente 158 crianças soropositivas, a maioria delas infectada pela mãe durante a gestação ou no período de amamentação. Segundo estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada dia cerca de mil bebês são contaminados pelo vírus HIV em todo o mundo.
Ontem, no Dia Mundial de Luta contra Aids, as secretarias estadual e municipais da Saúde e várias organizações não-governamentais realizaram atividades para alertar a população sobre a necessidade de barrar o avanço da doença entre crianças e adolescentes. Com o tema ‘‘Crianças Vivendo com Aids’’, a campanha deste ano teve como principal alvo as mulheres, responsáveis diretas pela transmissão do vírus para crianças. ‘‘As mulheres e seus filhos são as chamadas vítimas inocentes da Aids, já que são contaminadas de forma involuntária’’, diz a monitora de Saúde do Grupo Dignidade, Neuza Teresinha da Silva.
A maior parte das crianças soropositivas é filha de pais doentes de Aids e acaba sendo deixada em casas de apoio para crianças órfãs. Aquelas que contraíram a doença por transfusão sanguínea (5,1% dos casos) ou por uso de drogas injetáveis (2,5%) muitas vezes são abandonadas pela família, e também passam a viver em instituições assistenciais.
‘‘O ideal seria que cada casal fizesse o teste de HIV antes de ter um filho’’, diz a coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids, Maria Célia Borges da Fonseca. Atualmente, a Secretaria Estadual da Saúde contabiliza a existência de 4.066 doentes de Aids no Paraná, sendo 3.079 homens e 987 mulheres. A proporção atual de doentes no Estado é de quatro homens para cada mulher - até há alguns anos era de sete para um.
‘‘O uso da camisinha e o acesso à informação continuam sendo as únicas maneiras de evitar a Aids’’, diz a coordenadora. Quando ocorre uma gravidez em mulheres contaminadas, a única maneira de tentar evitar o desenvolvimento da doença no feto é administração de coquetéis de AZT a partir do 14ª semana de gestação até o momento do parto. ‘‘A chance da criança nascer com Aids diminui de 40% para 8%’’, afima Maria Célia.

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