Campanha quer coibir trote violento
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Estudante de Biblioteconomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vinícius Bueno sentiu-se constrangido e infantilizado quando foi submetido ao trote no primeiro ano de faculdade, iniciada em 2006. Hoje, integrante da diretoria do Centro Acadêmico (C.A.) do curso, ele comemora o fim dos constrangimentos na recepção aos calouros.
Na semana de integração da faculdade, tinta, cabeças raspadas, pedágios para pedir dinheiro nos cruzamentos e ''castigos'' foram substituídos por iniciativas cidadãs, que incluem palestras sobre a profissão de bibliotecário e campanhas de doação de livros para o Colégio de Aplicação. ''Ano passado conseguimos 250 títulos'', comemorou o estudante. ''Não chamamos de trote. A ideia é que haja acolhimento dos ingressantes'', disse.
A iniciativa dos alunos de Biblioteconomia antecipa a posição da direção da UEL, que lançou ontem a Campanha Nacional de Prevenção e Combate ao Trote. De acordo com o reitor Wilmar Marçal, uma página já está disponível no site www.uel.br/prograd divulgando a programação da campanha, a legislação da universidade sobre o trote, pareceres jurídicos e as comissões de cada Centro de Estudo com os respectivos telefones para contato, além da legislação municipal que trata do tema. ''Esse site será alimentado todos os dias'', afirmou Marçal. As aulas começam no dia 1º de março.
De acordo com ele, o objetivo é que a recepção aos ingressantes seja feita através de iniciativas como gincanas, práticas esportivas e até mesmo o ''trote solidário'' que beneficia entidades do município.
Como 46% dos novos alunos da UEL são de outros estados, o reitor também espera que a campanha atinja as famílias dos estudantes. ''Convidamos os pais a conhecerem o campus e apoiarem seus filhos nesse início de ano'', reforçou, lembrando que a sociedade também pode colaborar com o fim do trote negando-se a dar dinheiro para os jovens nos cruzamentos e denunciando práticas abusivas.
O diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), Aguinaldo Rosa, assumiu o compromisso de engajar-se na campanha. ''Não podemos impedir que os estudantes fiquem nos cruzamentos, mas os agentes de trânsito vão acompanhar a movimentação para oferecer segurança tanto para os ingressantes como para o trânsito em geral.''
A pró-reitora de graduação Fátima Cristina de Sá lembrou que, no ano passado, a instituição registrou cinco ocorrências de trote violento. ''Duas das sindicâncias já terminaram e resultarão em processo disciplinar que pode ser desde a suspensão dos responsáveis por alguns dias até a expulsão.''
Favorável ao trote apenas como agente de integração entre os estudantes, o presidente do Centro Acadêmico de Direito, Jair Vicente Silva Junior, afirmou que os veteranos do curso recebem os ingressantes com brincadeiras que incluem pinturas e atividades de gincana. ''Não há violência ou humilhação. Além disso, nenhum estudante é obrigado a participar'', relatou.
No ano passado, um dos membros do CA inclusive se disfarçou de calouro para fiscalizar a atuação dos colegas. ''Muitas amizades começam no trote, por isso é um momento importante. Mas não pode haver abusos'', considerou. Silva Junior ressaltou que o curso também realiza campanha de arrecadação de alimentos e doação de sangue para o hemocentro da UEL. ''Ano passado doamos 300 quilos de alimentos para o Hospital do Câncer.''
SERVIÇO
O Disque-trote da UEL, para informações e denúncias, está funcionando nos telefones 3371-4483 e 3371-4363


