Paulo Pegoraro
De Cascavel
O Hemocentro de Cascavel está em campanha para aumentar o número de doadores de repetição (permanente) de sangue para garantir a manutenção de estoques e o abastecimento de 18 estabelecimentos hospitalares da microrregião. A principal preocupação do Hemocentro é o grande descarte de possíveis doadores, que chega a 45% dos que se apresentam, por causa da positividade de doenças, constatada em triagem preliminar ou em exames mais rigorosos.
Segundo a bioquímica Silvana Tomasi, diretora do Hemocentro, 25% dos descartes ocorrem por causa da positividade do vírus da hepatite B, observada nos testes anti-HBC. O percentual já foi maior e foi reduzido porque muitas pessoas que se apresentavam como doadoras foram sendo descartadas na triagem inicial, ainda na consulta médica.
Além de contribuir para salvar vidas de outras pessoas, os doadores são beneficiados com testes como de hepatite, HIV, sífilis e doença de chagas, feitos gratuitamente. O Hemocentro precisa chegar a mil doadores permanentes para abastecer o Hospital Regional e outros 17 estabelecimentos da microrregião. Atualmente, são apenas 700, a maior parte de outras cidades. Por isso, a campanha de estímulo à doação é centralizada em Cascavel.
Não há ainda explicações objetivas para o elevado índice de hepatite B nas regiões Oeste e Sudoeste. O índice só é superado em regiões do Norte brasileiro, com péssimas condições de saneamento.
Não há comprovação científica para a possibilidade de que uma das causas seja o hábito do chimarrão, comum entre a população das duas regiões. A bomba de sucção do mate, compartilhada por várias pessoas, poderia ser o meio de transmissão do vírus, mas ele só atingiria quem tivesse ferimentos na boca. O Banco de Sangue funciona no Hospital Regional.
O Banco de Olhos de Cascavel também está empenhado em estimular a doação de córneas para transplante. Na cidade, pessoas que necessitam de córneas ficam na fila aproximadamente seis meses. O Banco e seu principal apoiador, o Lions Clube, estão mobilizando voluntários em cidades da microrregião distribuindo folhetos e outros materiais, explicando como ocorre a retirada de córneas após a morte sem que haja mutilações. Desde 1983, foram feitos 767 transplantes.

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