Campanha prioriza volta de pessoas com problemas de saúde
Estimativas não oficiais dão conta que cerca de 3.500 brasileiros que foram trabalhar no Japão - os chamados dekasseguis - estão vivendo em condições subumanas, embaixo de pontilhões ou dentro de velhos automóveis abandonados, sem recursos para a alimentação diária e com algum tipo de doença. Eles fazem parte do grupo de desempregados, que já são cerca de 30 mil, dentro do total de 260 mil dekasseguis.
Em consequência do desemprego causado pela crise econômica que abala o Japão e outros países asiáticos, a Associação de Imigrantes no Brasil (Asibras) está organizando desde julho uma operação resgate de dekasseguis que é apoiada pela Folha de Londrina/Folha do Paraná. Até agora, 12 pessoas - entre elas cinco londrinenses - já voltaram ao Brasil trazidas pela operação, que conta com a colaboração da Vasp e da Nipomed.
A Nipomed - empresa privada de saúde - é a responsável pelo cadastramento, triagem e assistência aos brasileiros que estão desempregados no Japão, pretendem e necessitam voltar ao Brasil. O trabalho está sendo feito por voluntários que prestam serviço para a nossa empresa no Japão. Fazemos isto por motivos exclusivamente de solidariedade humana, para ajudar quem passa necessidades, explica o diretor regional da Nipomed em Londrina, Carlos Ozeki.
Tem gente passando fome embaixo de pontes. É verdade que é uma minoria, dentro de um universo de mais de 200 mil pessoas. Mas eles necessitam de uma assistência rápida. A melhor saída é a volta do Brasil, avalia o diretor da Nipomed.
O cadastramento, os primeiros socorros, a triagem e assistência social aos dekasseguis - até que a Asibras consiga as passagens aéreas para a viagem de volta - estão sendo feitos em várias cidades japonesas pela Nic, uma empresa do grupo Nipomed, que atua no Japão de forma direcionada aos brasileiros.
Muitos têm vergonha da situação humilhante em que se encontram. Infelizmente, muitos brasileiros ainda não acreditam nisto. Mas é doloroso ver a que ponto chegaram milhares de brasileiros que partiram para o Japão, com os mais belos sonhos, ressalta o diretor comercial da Nipomed, Frank Akira Kato, que esteve recentemente no Japão durante 80 dias.
De acordo com a triagem da Nipomed feita para a Asibras, existe um grupo de 15 pessoas - as mais velhas e doentes - necessitando voltar ao Brasil com extrema urgência. Com situação documental regularizada, elas estão dependendo apenas das passagens aéreas. A Vasp oferece cada passagem pela metade do preço normal, ficando em cerca de R$ 700.00.
As pessoas interessadas em colaborar com a campanha, ou em mandar ou receber informações de parentes que estão desempregados no Japão devem entrar em contado com um dos escritórios da Nipomed, nos seguintes telefones: Londrina (043-324-1505), Andirá (043-733-3071), Cornélio Procópio (043-524-3600), Maringá (044-262-8383).Josoé de CarvalhoSolidariedadeCarlos Ozeki e Frank Kato, da Nipomed: empresa faz cadastro, triagem e assistência aos desempregadosOsmani Costa





