A população de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, está sendo convencida a não dar esmolas para crianças e adolescentes, não pagar para que tomem conta de carros ou comprar doces vendidos nas ruas e nos semáforos. Quatro mil cartazes e 25 mil folders - entregues junto com a conta de luz - são o principal instrumento da campanha ‘‘Esmola não. Cidadania sim!’’, lançada no final do mês passado pela Prefeitura, através da Secretaria da Criança, Família e Bem-Estar Social, Provopar, Conselho Tutelar e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Segundo o presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, Ari Stroparo, hoje não há crianças pedindo dinheiro nas ruas de Campo Largo. Uma pesquisa feita em 1995 mostrou que havia 34 crianças nessa situação, mas todas estão sendo atendidas por programas municipais, segundo Stroparo. ‘‘O objetivo da campanha é evitar que o problema se repita’’, afirma. A realidade, entretanto, é diferente. Ainda que em pequeno número, pode-se ver crianças pedindo dinheiro nas ruas do centro de Campo Largo e, segundo os moradores, principalmente nos bairros mais afastados.
O material informativo explica que dar esmolas contribui para que as crianças permaneçam nas ruas. ‘‘A criança que pede dinheiro nas ruas normalmente é instruída por adultos. Como representam uma fonte de renda, deixam de ir para a escola e perdem a oportunidade de investir no próprio futuro’’, diz Stroparo. Havia famílias na cidade, conta, que viviam de esmolas há três gerações. Pedir esmolas ou vender balas nas ruas, constata, normalmente é o primeiro passo da criminalidade. ‘‘Quando fica mais difícil conseguir esmolas porque cresceram, as crianças acabam cometendo pequenos furtos e se envolvendo com drogas’’, afirma.
O material informativo traz também os telefones do Conselho Tutelar para que a população informe sobre crianças em situação de risco para que recebam atendimento. Entre os programas oferecidos pela Prefeitura de Campo Largo estão o Da Rua para a Escola - realizado em parceria com o governo estadual -, que atende cerca de 130 crianças. Os pais recebem acompanhamento social e uma cesta básica por mês para manter os filhos na escola. Adolescentes de 14 a 17 anos podem frequentar a Fundação João XXIII, onde são oferecidos cursos profissionalizantes, como o de panificação. Crianças são atendidas também no Centro de Integração do Menor, onde estudam e participam de atividades pedagógicas e esportivas.

mockup