Campanha pode suprir falta de sangue
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terça-feira, 24 de março de 1998
Valmir Denardin 
Ney de SouzaConscientizaçãoJoão Custódio e Paulo José doam sangue no Hemonúcleo: primeiros resultados da campanhaO Hemonúcleo de Foz do Iguaçu - o único banco de sangue da região Extremo-Oeste do Estado - está iniciando uma campanha para conseguir mais doadores. O órgão registra uma média de 500 doações por mês, quando o ideal seria o dobro. A campanha inclui palestras em escolas, empresas e divulgação nos meios de comunicação.
Ainda há muita desinformação, que impede a doação de sangue, afirma a assistente social do hemonúcleo, Sirlei Maria de Giacomo. As pessoas se apegam a tabus, como o medo de que o sangue possa afinar ou engrossar, o perigo de que haja a transmissão de alguma doença durante a coleta ou a idéia de que uma pessoa que doe sangue uma vez seja obrigada a continuar as doações pelo resto da vida.
Pesquisas do Ministério da Saúde apontam que menos de 2% dos brasileiros doam sangue regularmente. Segundo a assistente social, nos países desenvolvidos esse índice é dez vezes maior.
Na avaliação da médica hematologista Alessandra Giordani Ritt, responsável pelo Hemonúcleo, a falta de sangue é um problema crônico em Foz. Além do baixo número de doadores, o órgão enfrenta outro problema: a grande incidência de hepatite B na região. Cerca de 30% das coletas são descartadas porque os doadores sofrem ou já sofreram dessa doença, que é transmitida pelo sangue. Isso faz com que, das cerca de 500 bolsas de 450 mililitros coletadas mensalmente, apenas 350 sejam aproveitados.
Segundo a médica, a maioria dos casos de doação é para reposição de estoque - quando parentes ou amigos de um paciente que precisou de sangue fazem a doação. Quando há a falta de sangue no estoque do banco em Foz, a direção é obrigada a pedir o material de outros hemocentros do Estado.
Os primeiros resultados da campanha já começaram a aparecer. Ontem à tarde, o eletricitário da Itaipu Binacional Paulo José da Rosa, de 47 anos, foi ao Hemonúcleo doar sangue, depois que funcionários do órgão visitaram a empresa. Moro em Curitiba, mas trabalho aqui e acho importante colaborar, afirmou.


