Campanha pelo direito de estudar
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terça-feira, 08 de março de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
É difícil acreditar que em pleno século 21 existam ainda locais em que pessoas são impedidas de estudar por motivos religiosos. Pois desde a Revolução Islâmica em 1979, os seguidores da Fé Baháí - a maior minoria religiosa não muçulmana do Irã - vêm sendo sistematicamente privados do acesso à educação. Para denunciar essa perseguição o jornalista e cineasta iraniano Maziar Bahari, que foi preso em seu país em 2009 (sem acusações) por 118 dias, encabeçou a campanha "Education is not a crime", que foi lançada em Nova York (EUA). No Brasil a campanha está presente desde setembro em várias cidades como Salvador (BA), Brasília (DF), Americana (SP) e Londrina.
O mural local foi pintado por Tadeu Roberto de Lima Júnior, o Carão Capstyle, e fica próximo da rotatória da Avenida Maringá, quase esquina com a Rua Charles Robert Darwin (zona oeste). O desenho exibe um estudante em uma carteira escolar, acompanhada pelo slogan da campanha "Educação não é crime" e pela hashtag #paintthechange, que é uma das ações da campanha para divulgar essa violência contra os Baháí.
Uma das porta-vozes da campanha em Londrina é a comerciante Faezeh Behrouzi, 62 anos, membro da Comunidade Baháí de Londrina. Faezeh é iraniana e chegou a Londrina há mais de 40 anos, antes da Revolução Islâmica. Ela relata que não passou por isso, mas muitas pessoas que conheceu foram perseguidas no Irã. "Algumas delas vivem em Londrina", revelou.
Segundo ela, os fiéis da Baháí possuem como um dos princípios a igualdade de direitos entre os homens e as mulheres e isso, por si só, já é uma afronta ao governo teocrático islâmico praticado no Irã. "Segundo a Baháí, o mundo é um pássaro com duas asas. Uma é a mulher e a outra é o homem. Se as duas asas não baterem de forma igual, não há como ir para a frente", expôs. Ela explicou que essa perseguição aconteceu pelo fato de os praticantes da fé Baháí sempre valorizarem a educação como forma de evolução. Faezeh revelou que muitos professores de universidades e faculdades e que praticavam a fé Baháí foram demitidos depois da Revolução Islâmica.
A Fé Baháí tem como um de seus fundamentos a educação universal e todos os seus seguidores são estimulados a buscar uma profissão pela qual possam contribuir para a melhoria da sociedade.
Para contornar o impedimento do acesso à educação, os professores demitidos criaram o Instituto Baháí para Educação Superior, com o objetivo de possibilitar a continuação dos estudos. As aulas ocorriam nas casas de fiéis do Baháí, com a ajuda de professores e colaboradores voluntários. "Eles juntavam os fiéis da Baháí em suas casas para dar aulas de maneira clandestina, mas mesmo assim várias vezes eles tiveram computadores e equipamentos confiscados. Os professores e alguns alunos foram presos pelo simples fato de estudar", relatou. Os diplomas do instituto são aceitos em mais de 200 países, no entanto o Brasil não é um deles.
A história do instituto é o tema do filme "To light a candle", produzido pelo cineasta Maziar Bahari. Por meio de histórias pessoais e imagens de arquivo, o filme mostra a perseguição contra os Baháís e o papel da sua resistência pacífica no movimento democrático iraniano.
No Irã, os Baháís são impedidos de trabalhar em empresas de grande porte, bem como em cargos públicos e por este motivo as atividades aos quais podem se dedicar são bastante limitadas. Os homens são obrigados a se dedicarem ao comércio e as mulheres à vida doméstica.
Até hoje os adeptos dessa religião são rotineiramente perseguidos, possuem negados o acesso aos meios de subsistência e são presos sob falsas acusações.


