Campanha pede redução de salários em Câmara
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quarta-feira, 11 de dezembro de 1996
Do Correspondente 
GOIOERÊ - Os sindicatos dos Servidores Municipais e dos Bancários de Goioerê (78 quilômetros a oeste de Campo Mourão) iniciaram ontem uma campanha visando redução nos salários dos vereadores que assumem no mês que vem. Membros dos dois sindicatos montaram uma barraca no calçadão, no centro da cidade, e vão ficar no local por 10 dias colhendo adesões. A expectativa é de reunir 10 mil assinaturas num documento que será levado à Câmara de Vereadores.
A cidade está quase falida e os vereadores estão ganhando demais, diz o presidente do Sindicato dos Bancários, José Antônio de Lima. Os 13 vereadores que assumem em janeiro vão ganhar R$ 2,7 mil, um pouco mais que os cerca de R$ 2,5 mil pagos atualmente. O levantamento dos sindicatos mostra, no entanto, que a Câmara de Goioerê paga bem mais que algumas cidades próximas e maiores, como Campo Mourão (R$ 1,5 mil), Umuarama (R$ 1,5 mil) e Cianorte (R$ 1,2 mil).
José de Lima ressalta que R$ 2,7 mil são praticamente dois anos de de trabalho para quem ganha salário mínimo. A proposta dos sindicatos é para que os subsídios dos vereadores caiam para R$ 1 mil, numa redução de 67%. Serão economizados R$ 22 mil apenas nos salários dos vereadores. A Constituição não permite que os salários dos vereadores sejam alterados depois das eleições, mas como trata-se de um pedido de redução, os organizadores do movimento não acreditam em empecilhos legais.
O vereador Pedro Tardelli (PT) apóia o movimento, mas lamenta que os mesmos sindicatos tenham ficados omissos no início de 1993 e em 1994, quando a questão esteve em discussão na Câmara. Isso já poderia ter sido feito, frisa.
pedro Tardelli defende que um vereador receba um salário mínimo calculado pelo Dieese (cerca de R$ 750,00) e também prega a revisão dos salários dos secretários municipais, que hoje recebem R$ 3,2 mil mensais. Os vereadores de Goioerê estão sem receber desde abril.


