Esta é a segunda vez que a auxiliar administrativa Mônica Patrícia Simones vai aos Correios de Londrina para adotar uma carta endereçada ao Papai Noel. Ela quer doar uma bicicleta. "Era do meu filho, ela está praticamente nova, mas ele cresceu e não pode mais usá-la." Em 2009, Mônica se sensibilizou com o pedido de cadernos e canetas e doou o material escolar. Ano passado, ela não teve tempo de pegar uma carta.

Mônica é uma das muitas pessoas que participam da campanha "Papai Noel nos Correios". Segundo o coordenador da campanha em Londrina, Mateus Magalhães, a ação é nacional, fruto de parceirias entre agências centrais de correio de várias cidades e suas respectivas secretarias de educação. Os alunos do ensino fundamental das escolas municipais escrevem pedidos ao Papai Noel, que são recolhidos e deixados à disposição para quem quiser doar o presente desejado.

Correspondências ao Papai Noel sempre foram encontradas nas agências, em sua maioria escritas por crianças inocentes, mas também por muitos adultos, e os pedidos são os mais variados - desde bonecas e patins até material para construção e cestas básicas. "Alguns funcionários dos correios se sensibilizavam com essas cartas e buscavam atender a alguns pedidos. Em 1997, esses atos ser tornaram uma campanha oficializada", explica Magalhães.

No ano passado, foi criado o atual sistema de formulários, que são impressos nos Correios e distribuídos em escolas de regiões carentes para que as crianças possam escrever as cartas. Esse método é adminsitrado por computadores - se alguém preenche dois formulários de pedidos, por exemplo, um deles será automaticamente cancelado.

"Foi um meio que encontramos para barrar eventuais oportunistas. Antes, era relativamente comum a mesma pessoa escrever centenas de cartas e distrubuí-las em várias agências, para ter uma chance maior de ter seu desejo atendido. Hoje em dia isso é muito raro", afirma Magalhães.

Contratempos menores à parte, o sucesso da campanha é evidente. Em 2010, foram recolhidos aproximadamente 6,5 mil formulários, 98% dos quais foram atendidos. Para este ano, a expectativa é um volume de cerca de 10 mil cartas. Isso significa que muitas crianças carentes terão a chance de um fim de ano mais feliz.

"Algumas cartas são bem comoventes, especialmente as que pedem alimentos, ou quando a criança pede um presente não para si, mas para um irmãozinho menor", relata Magalhães. Para Mônica, esta época do ano ajuda a trazer o melhor das pessoas. "Acho que o Natal ajuda a gente a se comover mais."

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