O trânsito é a principal causa de morte de crianças com até 14 anos no País, de acordo com o Ministério da Saúde. Estima-se que, por ano, 1,2 mil crianças brasileiras morram vítimas de acidentes e 10 mil sofram lesões irreversíveis.
De janeiro a novembro do ano passado, 2.518 crianças paranaenses de zero a 12 anos ficaram feridas em acidentes de trânsito e 37 morreram. Os números do BPTran não contabilizam os dados das rodovias federais.
No mesmo período do ano passado, foram registrados em Curitiba 7.682 acidentes. Destes, 1.208 ocorreram no período de volta às aulas, nos meses de fevereiro e julho. Os números mostram que a atenção dos motoristas deve ser maior quando se trata da combinação criança e trânsito.
"Nas férias os motoristas ficam mais vulneráveis e tem que chamá-los para a volta às aulas", afirma o agente de trânsito Udelson Bueno. Ele é um dos agentes que durante este mês realiza abordagens educativas com os motoristas de Curitiba. O objetivo da ação é orientá-los sobre o comportamento seguro no trânsito, principalmente durante a volta às aulas, e como manter uma cultura de paz.
As principais orientações são referentes ao transporte das crianças nos veículos, com uso de cadeiras e cinto de segurança para todos os passageiros, e cuidados nas proximidades das escolas.
A agente técnica do Diretran, Rosane de Fátima Chiesorin, garante que todos os motoristas e passageiros sabem como devem se comportar no trânsito. "Eles sabem. As crianças já aprenderam na escola e cobram dos pais. Precisamos relembrar a responsabilidade dos motoristas", conta. O reforço nas orientações é feito por uma breve conversa com os agentes e a entrega de materiais informativos sobre o que precisa ser feito.
Quando chegou acompanhada de seu filho de 11 anos sentado no banco da frente e utilizando o cinto de segurança, a profissional de segurança no trabalho, Cláudia Evangelista, 32, recebeu um elogio dos agentes do Diretran. Para ela, a iniciativa de orientar os motoristas é muito importante. "A segurança dos nossos filhos em primeiro lugar. A prevenção tem que ser total", afirma. O menino
Matheus concorda com a mãe e conta que cobra dos pais uma postura responsável nas ruas. "Tenho que usar o cinto porque o carro pode parar, dar uma freada brusca e posso me machucar."

Pequenas atitudes
Nas abordagens, os motoristas também são orientados a contribuir para a paz no trânsito, ação que envolve toda a sociedade. "São pequenas atitudes. Todo mundo na vida tem direitos e deveres", afirma Rosane. Para a agente, as responsabilidades começam quando o motorista entra no carro. "É usar o cinto de segurança e exigir que todos os passageiros também usem, respeitar a sinalização, dar a vez para o pedestre e para outros motoristas, não trancar o trânsito", explica.
O stress e a pressa são alguns dos principais fatores que prejudicam um trânsito pacífico. "Qualquer coisa é motivo de briga. Eu sou mais tranquila, mas meu marido é muito briguento", critica a empresária Ana Carolina Bahry. "Precisa de um entendimento entre as partes, entre carros e motos, senão vira guerra", avalia o motoboy Sidney de Souza, 57. Ele conta como contribui para a paz no trânsito. "Sempre dou a vez para o pedestre, deixo o pedestre passar."
Mesmo com os problemas ainda existentes, a agente do Diretran afirma que já vê nas ruas melhorias no relacionamento dos motoristas com o trânsito. "Com certeza melhorou bastante. É visível. Os pais não param mais em fila dupla na frente das escolas e os motoristas não trancam tanto as caixas amarelas", exemplifica.

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