De cada 100 pessoas diabéticas, 41 têm problemas oculares e podem ficar cegas em um período de dez anos. Os dados são de uma pesquisa realizada no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para reduzir os casos de cegueira por diabete e conscientizar a população, será lançada em Curitiba uma campanha nacional sobre o assunto.
O lançamento da campanha será feito durante o Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo, que começa hoje no Teatro da PUC. O evento reúne até domingo cerca de 500 especialistas do Brasil, Estados Unidos, México, Argentina e Chile.
Segundo o coordenador do congresso, professor Carlos Augusto Moreira Júnior, o objetivo da campanha é informar as pessoas sobre o problema, fazer exame médico em todos os diabéticos e tratar os que tiverem problemas oculares. A campanha será desenvolvida com o apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
Entre os especialistas estrangeiros que participam do congresso, está o presidente do projeto norte-americano ‘‘Diabetes 2000’’, José Pulido (Medical College of Wisconsin - USA). O projeto pretende erradicar a cegueira por diabete nos Estados Unidos até o ano 2000.
‘‘Vamos adequar o projeto à realidade brasileira e poderíamos fazer coisa semelhante no País’’, disse o professor Carlos Augusto Moreira Júnior. Segundo ele, a idéia seria eliminar os casos de cegueira por diabetes pelo menos até o ano 2010.
Atualmente, entre 5% e 7% da população brasileira é diabética. Entre os pacientes que registram problemas oculares, 58% nunca receberam tratamento médico. Somente em Curitiba, há cerca de 30 mil diabéticos com problemas de visão.
Segundo o coordenador do congresso, a cegueira nos diabéticos ocorre com pequenos infartos na retina. ‘‘Como a diabetes é uma doença crônica vascular, os vasos sanguíneos da retina vão se fechando’’.
O tratamento mais adequado para a retinopatia diabética (doença da retina por diabete) é a fotocoagulação com raio laser, para eliminar áreas infartadas. Segundo Carlos Augusto Moreira Júnior, o custo dos equipamentos é acessível. No Hospital de Clínicas da UFPR, onde o atendimento é gratuito, foram investidos R$ 100 mil em aparelhos para tratamento de problemas oculares.

mockup