Campanha mundial mostra que é mais barato amamentar os bebês
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de agosto de 1998
Célia Baroni 
A 7ª campanha mundial da Amamentação aberta oficialmente no sábado traz como tema Amamentar é um barato, dando ênfase para o ônus financeiro que a família e o país sofrem com a interrupção precoce da amamentação.
Segundo o pesquisador João Aprígio Guerra, autoridade nacional no assunto, uma família que ganha o salário mínimo compromete apenas 5% da sua renda com a manutenção de um bebê quando a mãe amamenta.
O gasto sobe para 43% da renda no primeiro ano do bebê, quando ele passa a ser alimentado com leite do tipo C, o mais barato do mercado.
Ele esclarece que o gasto com leite é uma armadilha. Inicialmente a mãe gasta cerca de US$ 6 com o leite, e a família acha pouco, diz. O aumento das despesas com o leite, no entanto é gradativo e no primeiro ano de vida da criança ele chega a US$ 70 por mês.
Como a maioria dos leites fabricados para lactentes é importado, uma pesquisa aponta que o Brasil perde cerca de US$ 300 milhões por ano em divisas trazendo o produto de outros países.
A criança que não recebe o leite materno, afirma o pesquisador, tem menos resistência e fica mais sujeita às doenças respiratórias, diarréias, etc. O tratamento demanda gastos com medicamentos e assistência médica. Ele explica que, além de conter os nutrientes indispensáveis ao desenvolvimento biológico, o leite materno dá à criança defesas para se adaptar ao meio ambiente. Uma criança que mama exclusivamente no peito mesmo picada por um mosquito contaminado não pega dengue, exemplifica.
Pesquisas na Inglaterra mostram ainda que a criança amamentada no peito desenvolve um QI (quociente de inteligência) mais elevado que as crianças desmamadas precocemente. A amamentação garante ainda uma adolescência mais equilibrada, segundo os cientistas. Mas, afirma o pesquisador, no Brasil, não há uma cultura de amamentação e a indústria da alimentação também não colabora, já que não é do seu interesse.


