Campanha Mude um Destino discute o reabandono
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terça-feira, 09 de setembro de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A questão do reabandono será discutida durante a segunda etapa da Campanha Mude um Destino - a favor da adoção consciente de crianças e jovens -, será lançada hoje à noite, na Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), no Centro Cívico.
A juíza Noeli Tavares Reback, da Vara da Infância e Juventude de Ponta Grossa, explica que quando a criança é acolhida informalmente pela família, há grandes chances de ela retornar ao local de origem. ''Há uma boa parcela de gente que não adota formalmente e por não estar preparado para esta função, acaba devolvendo a criança gerando um trauma ainda maior. A campanha incentiva uma adoção responsável visando o bem-estar do adotado'', enfatiza. A campanha é uma iniciativa é da Associação Brasileira de Magistrados (AMB) e da Amapar, com o objetivo de esclarecer as vantagens da adoção legal, via Poder Judiciário.
Esta nova fase apresenta dados da pesquisa ''Percepção da população brasileira sobre a adoção'' realizada em todos os estados, com 1.562 pessoas. Entre outros dados, o estudo revela que 57,9% dos entrevistados acreditam que a melhor maneira de mudar a realidade das crianças e adolescentes que vivem nos abrigos é por meio da adoção.
Dessas, 15,5% adotariam uma criança. A maioria (42,3%) optaria por ajuda financeira, enquanto 34,8% não estariam dispostos a ajudar. A preferência é por menina (27%), índice quase três vezes maior que por meninos (9,5%), com até seis meses de vida.
A juíza aponta que os resultados apresentam um brasileiro crédulo aos benefícios da adoção, mas ainda pouco comprometido com ela. ''Diante deste dados é que vimos a necessidade da intervenção do poder público para garantir que o adotado vá para uma família consciente do dever dela para com ele'', analisa.
O coordenador da Mude um Destino, juiz Francisco Oliveira Neto, destaca que a pesquisa indica que apenas um terço dos entrevistados disseram que procurariam o Judiciário para adotar alguém. ''A angústia para ter um filho e a falta de informação são os incentivadores à ilegalidade. Há quem não pense nas consequências desastrosas de uma aproximação inadequada, sem amadurecimento. O juizado é parte desta preparação'', relata.
A primeira fase da campanha aconteceu no ano passado e priorizou a divulgação das condições das crianças e jovens em abrigos, especialmente aquelas maiores, com idade acima dos seis anos. Neste ano, a questão de dar uma nova família à abrigados com necessidades especiais ou diferentes de características étnicas dos pais também estarão em voga. A juíza Noeli observa que há 80 mil crianças em abrigos no Brasil, mas que a adoção demora em muitos casos, devido às escolhas dos pais. ''Nossa intenção é conscientizar as pessoas que adotar é um sinal de amor e responsabilidade, independente das características das crianças'', diz.
Afastar esta idéia de ''produto'' é um grande desafio. Em Ponta Grossa, a juíza comemora as adoções em grupo, ou seja, quando os irmãos não são separados. No ano passado, ela conseguiu encaminhar oito crianças entre 3 e 7 anos. Até o momento, sete crianças já foram adotadas nestas condições.


