A morte de 14 mulheres em uma Escola Politécnica de Montreal, no Canadá, ficou conhecido como o “Massacre de Montreal”. O crime foi cometido em 6 de dezembro de 1989 por um homem de 25 anos, que invadiu a escola, ordenou que os homens se retirassem e atirou contra as vítimas. Ele ainda feriu outras dez mulheres e se suicidou.

Imagem ilustrativa da imagem Campanha Laço Branco em Londrina: homens pelo fim do feminicídio
| Foto: iStock

A tragédia é relembrada todos os anos na mesma data através da campanha Laço Branco, que inclusive é apontada pela ONU (Organização das Nações Unidas) como a maior iniciativa mundial voltada para o envolvimento dos homens na temática da violência contra as mulheres.

Em Londrina, a ação foi abraçada pelo Coletivo EIG (Evangélicas pela Igualdade de Gênero) em parceria com a secretaria municipal de Políticas para as Mulheres. Com o tema “Homens pelo fim do Feminicídio!”, o objetivo foi envolver órgãos públicos e a sociedade civil e coletar assinaturas físicas e virtuais de homens pelo compromisso de jamais cometerem uma violência contra a mulher. As assinaturas podem ser feitas até sexta-feira (6).

Até o momento, foram recolhidas 1.500 assinaturas em uma lista que passou por instituições policiais, universidades e órgãos ligados à prefeitura municipal. Na internet, o abaixo-assinado está disponível no site change.org. “Atingimos empresas e indústrias onde 80% dos funcionários são homens que vêm de cultura machista, patriarcal. Também tivemos contatos com lideranças religiosas”, comenta a coordenadora do coletivo em Londrina e outras seis cidades paranaenses, Vanessa Carvalho Mello.

Ela destaca que o projeto busca sensibilizar a população londrinense e que o número de assinaturas coletadas é bastante importante. “São 1.500 pessoas pensando e se comprometendo, mesmo que de forma simbólica".

PRIMEIRA VEZ

Essa é a primeira vez que a campanha Laço Branco é lançada em Londrina e, segundo Mello, o maior foco do EIG é o feminicídio. “Embora o Laço Branco seja de repúdio mundial em qualquer forma de violência, temos observado, enquanto coletivo, muitos crimes de ódio baseados no gênero. Os índices são assustadores e precisamos fazer esse grito de socorro ecoar. Temos que provocar a sociedade no sentido de dizer que existe uma epidemia que é a violência contra a mulher”, pontua.

Para materializar sua fala, Mello traz dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná: 61 casos de feminicídio foram registrados em 2018, sendo oito em Londrina. “Embora sejam dados de registro, a gente sabe que esse número pode ser ainda maior”, completa.

No Mapa da Violência 2015, o Brasil ocupa a quinta posição em um ranking de 83 nações, sobre o maior índice de homicídios femininos. A taxa registrada é de 4,8 assassinatos em 100 mil mulheres. De acordo com o dossiê Violência Contra as Mulheres, da Agência Patrícia Galvão, a estimativa é de que cinco mulheres são espancadas a cada dois minutos no Brasil.

REDE DE ENFRENTAMENTO

O coletivo EIG surgiu em Londrina em 2018 por mulheres de fé que buscam zelar pela autonomia feminina, independente de religião. E esse protagonismo foi de encontro à rede de enfrentamento à violência de Londrina, que está entre os grandes exemplos do País. Desde então, uma série de ações vêm sendo desenvolvidas em conjunto.

A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Nádia Oliveira de Moura, destaca que em 2019, o CAM (Centro de Referência e Atendimento à Mulher) atendeu 700 novos casos com serviços de psicologia, assistência social e suporte jurídico. “Hoje, temos 3.700 mulheres em Londrina com medidas protetivas. A violência contra a mulher existe em todas as classes sociais, profissões e segmentos”, afirma.

Ela traz esses números para reforçar a importância de órgãos públicos e sociedade civil atuarem em diversos espaços e envolver diferentes profissionais nas ações de prevenção e sensibilização sobre a violência contra a mulher. Para isso, foi lançado em março deste ano, o programa 'Juntas Somos Mais'.

16 DIAS DE ATIVISMO

A campanha Laço Branco, palestras, capacitações e rodas de conversa que estão sendo realizadas em Londrina integram os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A campanha anual e internacional teve início no Brasil no dia 20 de novembro (Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres) e vai até 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos).

Confira a programação:

03/12 - 8h20 e 19h: Palestra Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher: É preciso conhecer para enfrentar, no auditório Unicesumar (av. Santa Mônica, 450, Tijuca)

04/12 - 8h: Aula de encerramento da capacitação ministrada pelo CAM paa estudantes do curso técnica de enfermagem do Instituto Federal do Paraná - Projeto Transversalidade com instituições de ensino (rua João XXIII, 600)

05/12 - 10h: Roda de conversa com Mulheres Privadas de Liberdade - Violência doméstica e a Rede de serviços, no 3°Distrito de Polícia de Londrina

06/12 - 9h: Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres e Encerramento da campanha do Laço Branco 2019 – Homens pelo fim do feminicídio, no gabinete do Prefeito (av. Duque de Caxias, 635)

09/12 - 14h: Palestra Violência contra a Mulher para servidores do Cense II (Centro de Socioeducação) (rodovia João Alves da Rocha Loures, 5930)

10/12 - 9h: Roda de conversa “A violência Contra a Mulher como Violação dos Direitos Humanos, na Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (av. Valparaíso, s/n, Pq. Guanabara)

Serviço: Para mais informações ligue 3378-0111.

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