Cláudia Lopes
De Londrina
Os cafeicultores paranaenses conseguiram agregar um valor de até R$ 13,00 no preço da saca do produto, dependendo da região, em decorrência da ‘‘Campanha Qualidade Café Paranᒒ. Os primeiros resultados da campanha, lançada no ano passado, foram divulgados ontem no Encontro Estadual do Café, no Recinto José Garcia Molina, na Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina.
O valor agregado por saca do produto foi menor em Ivaiporã (R$ 7) e maior em Campo Mourão (R$ 13). ‘‘Como a produção de café é de 2,4 milhões de sacas, se a campanha fosse adotada por todos os 20 mil cafeicultores do Estado teríamos um incremento de R$ 16,8 milhões a R$ 31,2 milhões na economia paranaense’’, calculou o coordenador estadual de café da Emater, Édison José Trento.
Ele acredita que o Paraná só vai conseguir solucionar o problema de má qualidade na produção através da campanha, que enfatiza a colheita no pano e seletiva, a secagem, o beneficiamento, entre outros. Hoje, 46% dos cafeicultores do Estado fazem a colheita no pano ou seletiva. No ano passsado, a percentagem era de 36%.
‘‘O produtor tem que colher o café bem maduro, secar adequadamente, fazer o beneficiamento e conhecer o tipo e bebida produzidos’’, recomendou Trento. A secagem ideal é feita com movimentação intensiva, segundo ele. ‘‘Outro aspecto a ser considerado é o armazenamento. Para não sofrer deságio no preço, a umidade deve variar de 11% a 12%’’.
Entre 98 e 99, a venda de café beneficiado pelo próprio produtor passou de 14% para 25% do total de cafeicultores do Estado. ‘‘Quando ele mesmo beneficia, acaba conhecendo o tipo e bebida do produto. Atualmente, 40% já sabem que tipo de bebida produzem’’, calculou Trento.
A qualidade do café também está aumentando no Estado. Segundo dados da Emater, 86,6% da bebida produzida é dura e mole, produto considerado ‘‘top de linha’’. A área de produção no Paraná é de 156 mil hectares. Destes, 40 mil hectares têm café adensado. ‘‘A área tem crescido cerca de 5 mil hectares por ano. Se continuarmos neste ritmo, sem nenhum contratempo climático ou de mercado, o Estado deverá colher anualmente cerca de 5 milhões de sacas daqui a cinco anos’’, previu Trento.
O ‘‘Café Qualidade Paranᒒ já faz parte do programa Cafés do Brasil, que visa aumentar as exportações. O presidente do Iapar e gerente da Câmara Setorial do Café do Paraná, Florindo Dalberto, participa amanhã da 12ª Feira da Associação Americana de Cafés Especiais, em San Francisco, nos Estados Unidos. ‘‘Nossa estratégia de marketing é colocar a qualidade como um diferencial, desfazendo a imagem negativa do Estado em relação ao produto. Hoje, muitos cafeicultores levam sua produção para São Paulo para ser vendida como se fosse mineira. Queremos mudar este quadro, revitalizando o café e fazendo com que seja valorizado justamente por ser produzido no Paraná.’’

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