Ney de SouzaOcupadoTrecho de 17,6 quilômetros liga Serranópolis do Iguaçu a Capanema Os ambientalistas iniciaram uma campanha internacional contra a reabertura da Estrada do Colono, no Parque Nacional do Iguaçu. Cerca de 700 ambientalistas, reunidos na última semana no 1º Congresso Latinoamericano de Parques Nacionais e Outras Áreas Protegidas, em Santa Marta, Colômbia, aprovaram uma moção de protesto ao presidente Fernando Henrique Cardoso, pedindo sua intervenção na preservação da integridade do parque.
O representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, também manifestou preocupação quanto à reabertura da estrada, em cartas ao Ministério do Meio Ambiente e ao governo do Paraná. Ele encaminhou ao Centro do Patrimônio Mundial da Unesco, em Paris, um dossiê dando ciência sobre o caso. O Centro Mundial deve se manifestar junto ao Ministério das Relações Exteriores.
A Estrada do Colono é de terra, tem 17,6 quilômetros dentro do parque e liga as cidades de Serranópolis do Iguaçu e Capanema. Ela estava fechada desde 1986, por determinação da Justiça, até o mês passado, quando foi invadida agricultores, com apoio de autoridades locais.
Na última semana, o juiz Pedro Paim Falcão, do Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre, suspendeu a liminar que a mantinha fechada e os invasores já falavam em cascalhar a estrada. ‘‘Isso é uma violação à Convenção do Patrimônio Mundial, da qual o Brasil é signatário’’, afirmou Briane Bicca, assessora de cultura da Unesco no Brasil.
Segundo ela, ao indicar o Parque Nacional do Iguaçu como Patrimônio Mundial da Humanidade, o governo federal se comprometeu a assegurar sua integridade, através de legislação e ações legais de proteção. ‘‘O parque foi reconhecido internacionalmente como patrimônio e o Brasil deve zelar por ele’’, completa.
‘‘O Iguaçu e a Amazônia são os dois bens naturais brasileiros mais conhecidos no exterior, são locais de peregrinação de turistas do mundo inteiro’’, comenta José Pedro de Oliveira Costa, da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.
De acordo com ele, a campanha internacional para salvar o Iguaçu, recém-iniciada, conta com a participação ativa dos ambientalistas argentinos, que têm uma unidade de proteção contínua ao parque brasileiro, incluída na área reconhecida como patrimônio mundial pela Unesco.

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