Campanha incentiva doação pela vida
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quarta-feira, 06 de agosto de 2014
Paula Barbosa Ocanha e Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Uma grande mobilização será realizada na manhã do próximo dia 16, na Concha Acústica, para incentivar a sociedade a ser mais solidária. A campanha "Sou Doadora de Vida", organizada pela BPW Londrina Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais tem o objetivo de aumentar o número de doadores de sangue, medula óssea, córnea, órgãos e de leite humano.
"Nesse dia teremos um ônibus do Hemocentro (do Hospital Universitário) para coletar doações de sangue, haverá um posto de cadastro de novos doadores e de atualização dos dados dos antigos doadores, uma barraca da central de transplantes, uma equipe do Banco de Olhos que esclarecerá dúvidas sobre o transplante de córneas e às 10 horas acontecerá o mamaço, conduzido por mães que estão amamentando", destacou a coordenadora da campanha, Adriana Pontim.
Durante a ação, alguns receptores, doadores e familiares de doadores darão seus testemunhos. Também estão programadas apresentações de teatro, shows de música e dança. "Milhares de pessoas poderão ser beneficiadas pelas doações", afirmou Adriana.
Ela explicou que a primeira campanha realizada no Brasil aconteceu em 2012 e foi encabeçada pela BPW Cuiabá, e que focou na doação de sangue. "No mesmo ano, em Londrina, realizamos uma campanha para incentivar a doação de sangue, medula óssea, órgãos e tecidos, que repetimos no ano passado. Neste ano resolvemos ampliar para captar doadoras para o Banco de Leite e também para o Banco de Olhos."
A campanha, que conta com o a parceria de várias entidades, foi na noite de terça-feira. O slogan da ação é "Você mulher, que nasceu para doar vida, faça com que sua família seja também doadora."
Para a coordenadora do Banco de Leite do HU, Márcia Benevenuto, o objetivo é realmente doar "tudo o que é possível", e que "traz ou melhora a vida" das pessoas. "Essa força da mulher empresária leva essa bandeira para frente. Acreditamos que com isso essa campanha tem uma maior capacidade de divulgação. Precisamos extrapolar essa força para além do setor da saúde, para a sociedade organizada", ressalta.
Márcia acrescenta que Londrina recebe doação de 200 litros de leite humano por mês, "o que não é pouco", segundo ela, e mesmo assim a demanda só consegue atender 50% dos prematuros internados que nascem no município. "Priorizamos o prematuro internado porque eles são mais vulneráveis, e com o leite humano ele recebe um fator de proteção que garante que o bebê possa enfrentar essa fase", explica.
Apesar de o leite ser pasteurizado, o que faz com perca algumas propriedades, a coordenadora garante que é melhor para o bebê receber o leite materno do que um industrializado. "Porque as imunoglobulinas, que são agentes importantes para a imunidade, se mantém. Por isso, quando possível, é melhor oferecer o leite humano com 75% dos nutrientes do que um leite de vaca, modificado", explica, ressaltando que os avanços nos leites industrializados foram importantes para os bebês, mas só devem ser receitados em casos específicos e por recomendação médica.
Para ser doadora de leite a mulher pode ligar no HU fone (43) 3371-2390 - e receber a visita em casa de enfermeiras que irão orientá-la sobre o assunto. "Com a campanha estamos recebendo até 11 ligações por dia, quando recebíamos uma, ou nenhuma. É importante ter a campanha porque a mulher só pode doar leite durante um período curto, então precisamos dessa lembrança."
CADASTRO
A médica Letícia Gordan Ferreira Martins, responsável técnica da unidade de transplante de medula óssea do HU, também ressalta a importância da campanha. E, no caso dos doadores de medula, pede para que eles atualizem o cadastro no site do Instituto Nacional do Câncer (Inca) caso haja mudança de endereço ou telefone. "Porque quando cruzamos os dados e encontramos um receptor, precisamos encontrar o doador de medula", justifica.
Londrina possui atualmente 50 mil doadores de medula cadastrados. No HU o transplante de medula óssea é realizado desde 2010, e já foram beneficiados 72 pacientes. Pessoas entre 18 e 54 anos podem ser doadoras. "Temos um cadastro maior de mulheres justamente porque elas não possuem restrição de peso, como existe na doação de sangue. Então é uma opção, se a pessoa desejar, tiver vontade mesmo, porque é um gesto muito altruísta, que oferece a cura ou a melhora de vida de pacientes que precisam", observa.


