Campanha incentiva a doação de córneas
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sexta-feira, 07 de maio de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
No dia 26 de abril, o consultor Carlos Henrique Maricato, 28 anos, deixou uma incômoda posição na fila por um transplante de córnea e passou a enxergar melhor. Ele recebeu a doação após um ano e dois meses na lista de espera da Central de Transplantes. ''Antes, tudo o que eu enxergava era com o olho direito. Hoje, já enxergo melhor'', confirmou.
O problema de Maricato era uma deformação na córnea esquerda. Ele enfrentava dificuldade para enxergar de longe e cansaço visual por forçar o olho direito para compensar a deficiência genética. Por quase dois anos, ele consultou diversos médicos, que apontaram o transplante como solução definitiva. ''Na época, o problema não era tão agudo. Já para alguém que não enxerga nada, é muito mais complicado esperar na fila'', atestou.
O consultor é um exemplo de pacientes que integram a lista do transplante. Com o intuito de diminuir o tempo de espera, o Lions Clube Londrina Centro promoveu ontem o 1º Fórum Leonístico sobre Transplante de Córnea. O objetivo dos ''leões'' é mobilizar empresários para manter uma campanha permanente de captação. Hoje, a região de Londrina tem 109 receptores, entre ativos e inativos (impossibilitados de receber o transplante no momento por problemas de saúde). ''É complicado porque a família dos potenciais doadores tem de ser abordada numa hora difícil'', salientou Noboru Yagui, médico do Hospital dos Olhos de Londrina. O evento teria ainda a participação de Elcio Sato, presidente da Associação Panamericana do Banco de Olhos.
De acordo com a coordenadora da Central de Transplantes, Ogle Beatriz Bacchi, o tempo médio de espera é de 7,5 meses. ''Com o potencial de doadores da cidade, poderíamos não ter fila'', garantiu Ogle. Como Londrina registra hoje uma média de dez mortes por dia, uma doação diária seria suficiente para zerar a espera. ''Considerando 40% de descarte clínico, 18 doações mensais poderiam viabilizar 36 transplantes, mais de um por dia'', contabilizou.
A captação das doações na região é feita por seis hospitais que fazem o transplante: Santa Casa, Universitário, Evangélico e Hoftalon, em Londrina, São Francisco, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), e Providência, em Apucarana. Os estabelecimentos possuem equipes trabalhando 24 horas por dia. O Hospital João de Freitas, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), realiza somente a captação. Londrina é referência para as regiões de Apucarana, Cornélio Procópio e Jacarezinho.
Segundo o médico Mário Sérgio Azenha de Castro, presidente do Lions Clube Londrina Centro, a meta é obter patrocínio de empresas para divulgação constante de uma campanha de conscientização sobre a importância da doação. ''Londrina está bem aquém do que poderia em número de transplantes'', avaliou. Ele faz uma comparação com Sorocaba, no interior paulista, que realizou 500 operações no primeiro semestre do ano passado. No mesmo período, Londrina promoveu somente 20 transplantes.
Outra meta é incentivar a criação de um Banco de Olhos na cidade, que contaria com equipamentos para viabilizar o aproveitamento das córneas num período maior. Hoje, a retirada tem de ser feita obrigatoriamente até seis horas após a morte e o transplante também em curto prazo. ''Mas o principal para aumentar as doações é a conscientização das pessoas'', resumiu Maricato.


