Campanha faz alerta contra rebite
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de abril de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Edson MazzettoSegurança garantidaPoliciais rodoviários estaduais na Operação Safra: radar para controlar a velocidadePraticamente um terço dos motoristas de caminhão que trafegam pela BR-277, na rota Foz do Iguaçu-Paranaguá, utiliza estimulantes (o chamado rebite) que adiam o sono permitindo jornada maior de trabalho. O risco da jornada terminar em acidente é muito alto.
A constatação é da 4ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Cascavel, que desenvolve a campanha Rebite I. Nas rodovias estaduais, a mesma preocupação com segurança na Operação Safra resultou em quase 2,5 mil infrações lavradas, a maior parte por cargas com excesso de peso.
A campanha Rebite I é exclusiva da Delegacia da PRF, mas segundo o chefe, inspetor Vicente Bereza, pode servir como exemplo em nível nacional. Bereza explica que a preocupação é preservar a vida dos caminhoneiros e também dos outros motoristas que acabam sendo envolvidos nos acidentes. Além de patrulheiros, estão empenhados no trabalho de conscientização o médico Keith Fontes e as enfermeiras Jacira dos Santos Domingues e Verônica Ribeiro Batista, integrantes do Núcleo de Medicina Rodoviária, vinculado diretamente à PRF.
Inicialmente, a campanha levanta informações e divulga as consequências do uso de dissimuladores do sono. Segundo informações obtidas pela campanha, os motoristas que trafegam pela BR-277 trabalham em média 12 horas diárias. Os que rodam em direção ao Sul e ao Norte do País chegam a cumprir 48 horas de trabalho, com curtos intervalos. Há casos de motoristas que viajam até por uma semana consumindo o rebite, correndo risco de morrer em acidente assim que passa o efeito.
Os principais estimulantes usados são inibidores de apetite, misturados com bebidas alcoólicas e até mesmo no chimarrão. O inspetor Bereza relata que muitos motoristas dizem utilizar rebite por orientação dos patrões, para que as cargas cheguem ao destino mais rapidamente, aumentando os lucros.
Segundo o inspetor, estas conclusões vão embasar pedido de atuação do Ministério Público, porque está sendo ferido o Código de Contravenções Penais.
Para os motoristas, além do risco direto de acidentes, há outras consequências do uso dos estimulantes. Segundo os integrantes do Núcleo de Medicina Rodoviária, eles podem causar envelhecimento precoce, impotência sexual, taquicardia, problemas renais, dependência e desequilíbrio mental. O rebite não elimina o sono, apenas o adia. Na verdade, os motoristas acabam dormindo de olho aberto, explica Vicente Bereza.
A campanha apoiada em panfletos com orientações, quer fazer dos próprios motoristas agentes multiplicadores que se encarreguem de reproduzir os alertas entre os colegas, principalmente em pontos de parada de caminhões.


