Campanha estimula ‘doadores’ Da dificuldade das universidades em conseguir corpos para pesquisa e ensino surgiu uma campanha inédita no Brasil: a busca de cadáveres voluntários. A campanha foi lançada em outubro do ano passado e, desde então, conseguiu a adesão de 40 pessoas. São indivíduos que, depois de mortos, irão parar nas mãos dos professores e estudantes de anatomia, desde que as famílias desses voluntários aceitem os seus desejos em vida. Criadora da campanha, a Comissão de Distribuição de Cadáveres para Ensino e Pesquisa pretende levar a idéia para uma reunião da Associação Médica Brasileira de Anatomia, que deve ocorrer em agosto. Se aprovada, o projeto piloto ganha fôlego e pode tornar-se nacional. ‘‘O problema ocorre em todos os estados brasileiros’’, justifica José Geraldo Calomeno, presidente da comissão. A entidade estuda também a possibilidade de regulamentar a distribuição de cadáveres em lei estadual – que tem apoio de alguns deputados, entre eles Ricardo Chab (PTB). A comissão seria transformada, assim, num conselho deliberativo e outro diretor. Todos os corpos encaminhados às universidades passam atualmente pela comissão. Para definir a que instituição o corpo se destina, Calomeno mantém um ranking de prioridades. A cidade de Ponta Grossa foi a última a receber um cadáver, em novembro do ano passado. O fato revela o tamanho da necessidade das faculdades. Há exatos oito anos, conforme Calomeno, a universidade daquela cidade não era contemplada com um corpo. Para declarar-se voluntário, um cidadão deve comparecer a um cartório e firmar o que deseja em escritura pública. O cartório manda uma listagem à comissão. Quando um dos voluntários morre e a família aceita fazer a doação do corpo, a comissão deve ser avisada pelos telefones (41) 366- 3144 e 9972-0656. A universidade que estiver no topo da lista de espera fará a busca do corpo e sua devida conservação. (J.A.)