Campanha estimula doação de corpos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de janeiro de 2001
Israel Reinstein De Curitiba 
A Comissão de Distribuição de Corpos para Estudos e Pesquisa, composta por universidades, igrejas, cartórios e Ministério Público, vai reforçar a campanha que estimula a doação de cadáveres para auxiliar as aulas nas universidades do Estado. Uma nova etapa da campanha, que começou em 1999, será realizada ainda no primeiro semestre com a fixação de banners em diversas cidades do Estado.
O reforço da campanha é para orientar e esclarecer a população sobre esse assunto, que é comum e usual em países europeus e nos Estados Unidos, disse o presidente da comissão, o médico José Geraldo Calomeno, professor da Universidade Federal do Paraná.
Essa nova fase acontece meses depois dos escândalos de desvios de corpos investigados no Instituto Médico-Legal. De acordo com o médico José Geraldo Calomeno, foi a própria comissão quem solicitou que fossem feitas investigações para moralizar o repasse de corpos para entidades educacionais, vindo do IML.
Calomeno explicou que a intenção da campanha é atender uma deficiência nas 15 universidades envolvidas na comissão. Hoje existe um corpo para cada 100 alunos estudarem. Há cinco anos, este índice era de um para 10. Com essa proporção, o professor explica que que fica complicado para os alunos aprenderem sem uma prática adequada.
Atualmente, para compensar essa falta de corpos, os professores vêm se valendo de data-show e bonecos, que simulam determinadas situações. Mas o virtual não susbstitui com segurança o contato com os corpos, justificou. De acordo com o professor José Calomeno, não são apenas os alunos de Medicina que usam os corpos. Os cursos de Farmácia, Nutrição, Odontologia e Educação Física também usam os cadáveres para estudo.
O médico disse que na primeira etapa da campanha houve uma grande aceitação, mas uma grande parcela das pessoas que registraram em cartório estão vivas e, obviamente, não podem ter seus corpos doados para estudos. Segundo Calomeno, todo o processo é feito respeitando a lei 8.501/92, que regulariza o uso de corpos. Para que não haja erros no processo, o Ministério Público, por meio da Procuradoria de Investigações Criminais, fiscaliza os trâmites de doação e cessão de corpos.
Quando a família apresenta interesse, ela pode entrar em contato com a Universidade Federal do Paraná (41) 361-1679, que vai repassar uma listagem de cartórios que registram gratuitamente o desejo de doar o corpo.


