Curitiba - No Dia Mundial de Combate à Tuberculose, o Paraná não deve comemorar. Apesar dos índices estarem caindo ano a ano, a doença ainda não está controlada no Estado. Dados preliminares de 2008 apontam 2.561 novos casos. Em 2007, 138 paranaenses morreram por conta da doença.
De acordo com a coordenadora do Programa Estadual do Combate à Tuberculose, Betina Alcântara Gabardo, o índice de cura no Paraná está em 75,5% e 7,5% dos pacientes abandonam o tratamento. Para ser considerada controlada, é preciso haver um mínimo de 85% de cura e máximo de 5% de abandono. ''É uma doença que atinge uma grande população de usuários de drogas, de álcool e pessoas com outras doenças, como a Aids. O tratamento dura seis meses, mas o paciente sente uma melhora após os dois primeiros meses, então deixa de tomar a medicação'', explicou.
Apesar disso, a incidência da doença no Estado é considerada baixa: 24 infectados para cada 100 mil habitantes. A maioria dos pacientes são homens entre 18 e 55 anos. ''Não sabemos o porquê dessa faixa etária. Provavelmente por ser a população economicamente ativa, justamente os que estão mais expostos ao contato com outras pessoas'', argumentou Betina.
Com a campanha ''A tuberculose tem cura, não abandone o tratamento'', que terá ações promovidas individualmente pelos municípios, a Secretaria de Estado da Saúde espera chamar atenção para o problema de saúde pública e estimular o diagnóstico precoce, quando as chances de cura são maiores. Outra frente irá investigar a ocorrência da doença em Paranaguá, onde, segundo Betina, a incidência ultrapassa os 100 casos a cada 100 mil habitantes.
''Temos 5 mil mortes ao ano no Brasil pela tuberculose. É muito para uma doença curável. A maior parte das mortes é decorrente do diagnóstico tardio. Nossa meta é aprimorar o diagnóstico precoce, com a certeza da cura, e não quando o paciente já perdeu 10 quilos'', comentou o presidente da Sociedade Paranaense de Tisiologia e Doenças Torácicas, Rodney Frare e Silva.
Os sintomas da doença são tosse, febre vespertina, perda de apetite, emagrecimento, suor noturno, cansaço fácil, dor no peito e escarro com sangue. Mas, segundo Betina, é recomendado procurar um médico ao perceber uma tosse persistente após três semanas. A transmissão acontece pela tosse, espirro, escarro ou mesmo pela fala.
Somente em Curitiba, 425 novos casos foram notificados no ano passado. Nesta semana, técnicos de 27 unidades de atendimento da Secretaria de Saúde farão busca ativa dos chamados sintomáticos respiratórios em áreas de risco. Apesar dos índices terem caído na Capital nos últimos três anos, a taxa de cura foi inferior à estadual e o abandono chegou a 10%.

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