Campanha em Londrina chama atenção para cuidados no trânsito
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de agosto de 2017
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 

Apenas no primeiro semestre de 2017 foram registrados 177 atropelamentos que resultaram em 13 mortes de pedestres em Londrina. O índice é crescente, pois no mesmo período de 2016 houve 165 atropelamentos e 12 mortes. No Dia do Pedestre, celebrado na terça-feira (8) em todo o Brasil, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) realizou mais uma ação do programa "Olhe e Sinalize", que começou a ser implementado na cidade em julho.
O objetivo da campanha é incentivar pedestres a atravessar as ruas nos locais indicados e conscientizar os motoristas sobre a importância de respeitar a sinalização. Durante a manhã, agentes de trânsito distribuíram panfletos e orientaram a população na Avenida Arthur Thomas (zona oeste). A pintura da faixa de pedestres e da sinalização do entorno também foi reforçada para dar mais visibilidade para a travessia segura.
De acordo com o diretor de Trânsito da CMTU, Hemerson Pacheco, a maioria dos atropelamentos ocorre por descuido dos pedestres, mas parte deles também é provocado pela imprudência dos motoristas. "A dica básica para os pedestres é olhar para a esquerda e para a direita e sempre atravessar em linha reta", orienta.
Ele lembra que, diante das estatísticas, dois fatores aumentam o risco de ser atropelado em Londrina. Um deles é a idade, visto que oito das 13 pessoas vitimadas por esse tipo de acidente em 2017 eram idosas. Outro perigo está nos chamados pontos críticos, concentrados em vias rápidas mas que, em determinados locais, concentram passagem de muitos pedestres, como é o caso das grandes avenidas e rodovias que cortam a cidade.
"Os idosos atuais são autônomos e andam sozinhos. Como nesta faixa etária começam a vivenciar a redução da mobilidade e o comprometimento da visão, a percepção sobre a distância dos carros, por exemplo, pode ficar alterada. A dica é que essas pessoas sejam orientadas pelos cuidadores e que criem trajetos mais tranquilos e seguros", ensina Pacheco.
COMPORTAMENTO
Com foco nesse público, a CMTU tem abordado os frequentadores dos centros de convivência de idosos com orientações sobre como se comportar na hora de atravessar a rua. Além disso, através da campanha "Olhe e Sinalize", estão substituindo placas da antiga campanha "Pé na Faixa" pelas da atual ação. "Estamos tentando resgatar a consciência tanto do pedestre como do condutor. A orientação é estender a mão, esperar o veículo parar e atravessar", diz, lembrando que, nos pontos onde há semáforo, prevalece esta sinalização.
A aposentada Perside Camargo, 75, conhece bem a realidade descrita pelo diretor de trânsito da CMTU. Moradora da região da Avenida Arthur Thomas, ela frequenta um centro de convivência para idosos na região e precisa atravessar a avenida todos os dias. "Tenho medo, porque uma colega do centro foi atropelada neste lugar e acabou morrendo", lamenta. Para atravessar em segurança, ela conta que só coloca o pé na rua depois que os carros param completamente. "Nem todo mundo para, o jeito é esperar", resigna-se a senhora, que tem receio maior dos motociclistas. "Quando vejo motos, nem tento sinalizar, pois elas nunca param."
A auxiliar administrativa Selma Roelis, 66, também mora na região e atravessa a avenida várias vezes ao dia. "Os carros passam 'voando', nunca me arrisquei a sinalizar", diz. Desafiada pela reportagem a aderir à campanha, ela sinalizou para um veículo que felizmente deu passagem para a pedestre atravessar. "Hoje tem os agentes da CMTU aqui, é mais fácil. Vamos ver como será depois que forem embora", pontuou.
O agrônomo José Ângelo Guariglia trabalha exatamente em frente ao local onde foi repintada a faixa e considerou que o reforço foi fundamental para a segurança dos pedestres. "A gente cansa de ver acidentes, muitos motoristas param, mas ainda tem quem passe correndo", lamenta ele, que já chegou a ver um pedestre agredindo um motorista apressado com um guarda-chuva. "Foi uma briga feia", conta.
Na opinão de Guariglia, durante as campanhas, condutores e pedestres lembram dos cuidados básicos e o trânsito flui melhor. "Mas depois as pessoas esquecem e os problemas voltam. É um assunto que precisa ser lembrado sempre."


