Campanha ecumênica arrecada remédios para famílias carentes
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sábado, 16 de agosto de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
Arquivo FolhaMedicação fácilFarmácia fornece medicamentos que não estão na lista do SUSCentenas de fiéis de credos e religiões diferentes se uniram por uma causa nobre em Umuarama: arrecadar remédios, usados ou não, para atender os doentes que não podem comprar ou não encontram na farmácia do Sistema Único de Saúde (SUS) os remédios receitados pelos médicos.
A campanha mobiliza em torno de 3 mil pessoas e abastece duas farmácias alternativas, batizadas de Fármacia da Partilha. A primeira, instalada na Igreja Matriz São Francisco de Assis, atende os fiéis daquela paróquia. A outra, criada este ano no Centro Social Urbano, recebe doações de católicos e evangélicos e atende a todas as pessoas pobres que procuram o serviço público de saúde.
Em três meses de funcionamento, a Farmácia da Partilha do Centro Social Urbano já distribuiu cerca de 3 mil medicamentos, beneficiando em torno de 1.500 famílias.
A farmácia da partilha amenizou o drama daquelas pessoas que não encontravam o remédio necessitado na farmácia do SUS, diz o chefe da divisão de ação comunitária da Secretaria Municipal do Bem Estar Social, Cícero Laurentino. A prefeitura comprava remédios, mas não conseguia atender todo mundo. Restava aos doentes deixar de tomar o remédio ou pedir ajuda de porta em porta para comprá-lo.
A Farmácia da Partilha de Umuarama mantém em estoque cerca de mil tipos de remédios. Boa parte são remédios usados doados pela população, cuja arrecadação é feita por membros de 12 igrejas evangélicas e cinco paróquias católicas. Complementam o estoque, amostras grátis doadas por médicos e os remédios da farmácia básica do governo.
A maior vantagem da farmácia, segundo Laurentino, é ter em estoque remédios caros que o governo não fornece, mas os médicos receitam com frequência. Graças à farmácia da partilha, a prefeitura também reduziu bastante os gastos com compra de medicamentos para pessoas carentes.
Para garantir o abastecimento da farmácia, a Igreja Católica optou por coletas periódicas. Cada final de semana, uma paróquia fica responsável pela arrecadação e voluntários vão de cada em casa recolhendo remédios. Já as igrejas evangélicas, com cerca de mil seguidores, convocam os membros a entregar as doações nos cultos. Tudo que recebemos repassamos imediatamente ao CSU, diz Eunice Ferreira Lima de Matos, da Igreja Presbiteriana do Brasil. As igrejas recolhem todos os remédios doados, inclusive vencidos. No CSU, farmacêuticos separam os remédios que podem ser aproveitados e os que devem ser jogados fora.


