Campanha é ótima somente no papel
O coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina, Gelson Gil, é pessimista ao avaliar a campanha. Não é sensibilizando o cidadão ou o empresário que vai haver mudança. Os governantes é que devem ser sensibilizados a fazer jus àquilo que a lei assegura. Deveriam ainda preparar o cidadão que está preso para sair realmente com uma profissão. Do contrário, ele sempre vai ser rejeitado, pois não tem qualificação. Nossas prisões são locais apenas de confinamento e não de um trabalho prévio à ressocialização, argumenta.
Gil completa dizendo que a campanha é uma forma de o Estado maquiar a realidade e se eximir de sua responsabilidade. Para ele, essa é uma campanha ótima somente no papel, mas que não vai funcionar. Chance, eu garanto que muitos empresários de bom senso e boa vontade vão dar. Se você me perguntasse se eu contrataria, eu não levaria em consideração a questão dele ser egresso, até porque não acredito no trabalho da penitenciária e do sistema prisional. Apesar disso, a culpa vai sempre recair sobre ele e não naquele que é detentor do poder, neste caso, o Estado.
Ele recomenda que daqui um tempo a sociedade se comprometa a fazer uma avaliação da campanha. Gostaria que daqui a algum tempo pudéssemos avaliar seriamente se a campanha alcançou resultados práticos. Mas não somente dados estatísticos com números e planilhas; precisamos saber da realidade, que não é dita, comentou.
Atualmente não é desenvolvido trabalho conjunto entre o CDH e Patronato do município, mas o Centro atua como agente fiscalizador para que a lei de execuções penais seja cumprida dentro do sistema prisional, garantindo os direitos básicos dos detentos. (M.T.)





