Campanha é chance de emprego na cidade
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quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
A auxiliar de serviços gerais Maria (nome fictício), 32 anos, lembra com saudades da campanha eleitoral de 2002. "Naquele tempo se pagava muito bem", conta. Maria trabalhou na campanha do então candidato a presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. "Era R$ 50 por dia mais almoço e vt (vale-transporte)", diz. O valor é bem superior aos R$ 25 que Maria recebe hoje para ficar das 9 às 18 horas empunhando a bandeira de um candidato à prefeitura da Capital.
Maria é moradora da Vila Barigüi, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Os três meses de trabalho para o candidato vieram em boa hora para ela. "Estou desempregada há cinco anos", conta. Apesar de cansativo, o trabalho, que implica em ficar em pé durante oito horas por dia, compensa. "É melhor do que ficar em casa sem ganhar nada", comenta. Esta é a terceira eleição em que ela trabalha.
Para passar o tempo, Maria conversa com a colega de esquina, Rose (nome fictício), que trabalha para o comitê de um candidato adversário. "Assim o tempo passa mais rápido", diz Rose. As duas se conheceram na esquina das ruas Lysimaco Ferreira da Costa com a Cândido de Abreu. Ao contrário de Maria, Rose é uma novata em campanhas. "Meu pai estava trabalhando no comitê e me chamou", explica. Empregada doméstica, Rose estava desempregada e está aproveitando o trabalho temporário para ganhar um dinheiro extra.
Na esquina, o assunto entre as duas não é política. "A gente conversa sobre a família, casa", revela Maria. Entre as dificuldades do dia-a-dia, as duas concordam que o ruim é ter que ficar em pé. "No fim do dia o meu pé dói muito", diz Rose. "O melhor é quando não está nem quente nem frio", completa Maria. Na hora do aperto, as duas recorrem ao prédio da prefeitura de Curitiba para usar o banheiro. "Mas tem que tirar o colete (com o nome e o número do candidato", informa Maria. "É justo, né?", diz.
Do outro lado da rua, a sexagenária Isaura (nome fictício) trabalha distribuindo adesivos de outro candidato para os motoristas que passam pela Cândido de Abreu. Outra veterana das campanhas, ela já distribuiu adesivo para candidatos ao governo em 2002 e 2006.
A colega de Isaura, Carolina, de 20 anos, concorda que o pagamento já foi melhor. "Nas campanhas passadas dava para ganhar mais", lembra. Carolina, que empunha uma bandeira das 8 às 17 horas, diz que o trabalho não é tão puxado, mas o calor e os motoristas incomodam. "Tem gente que xinga, que se irrita", conta Carolina.


