Moradores de prédios residenciais que ficam nas imediações dos bares da Rua Professor João Cândido, no Centro, não acreditam que a campanha educativa que os proprietários destes estabelecimentos prometem desenvolver junto aos seus frequentadores diminua os índices de poluição sonora na região. Para os moradores, melhor que distribuir panfleto educativo como ficou acertado em reunião na última sexta-feira entre representantes da prefeitura e proprietários seria o fechamento dos bares mais cedo ou sua transferência para uma região da cidade que não tivesse moradias.
''Acho que a maioria das pessoas vai pegar estes panfletos, amassar e jogar embaixo das mesas. A falta de educação é muito grande. É uma baderna geral'', afirma Maria Juliani, que mora em um dos edifícios perto dos bares. Outra moradora das imediações, a fotógrafa Débora Sanches, também não acredita nos resultados práticos da campanha. ''É uma piada'', define.
Grávida de sete meses e mãe de um garoto de dois anos, Débora e o marido foram obrigados a transformar a sala de visita em quarto de dormir para conseguir conviver com o barulho, que segundo ela é intenso todos os dias da semana. O incômodo de dormir no chão, em um único colchão com o marido e o filho, é grande. ''Não sei como vai ser quando o nenê nascer. Meu filho já tem um sono agitado, acorda o tempo todo, e meu marido está com problemas de saúde por causa da falta de sono e nervosismo.''
A família Sanches já pensa até em mudar de endereço. ''Moramos em um apartamento espaçoso, bem localizado, e talvez tenhamos que sair. E o pior é que, além de tudo, o imóvel é desvalorizado'', observa. Segundo Débora, quando a família se mudou para a região, há um ano e meio, o barulho não chegava a incomodar. ''O problema começou quando abriram mais dois bares'', diz, referindo-se ao Beer House e ao Bar da Silva, que somaram-se à Casa da Cachaça, instalada há 12 anos no local.
O diretor de Tributos da Secretaria Municipal de Fazenda, Denílson Vieira Novaes, lembra que a maioria das reclamações que chegam até a prefeitura é em relação ao barulho feito pelos frequentadores fora dos bares, daí a idéia de fazer uma campanha educativa, que segundo ele vai integrar um conjunto de ações, como maior fiscalização por parte de agentes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e polícia. ''O maior problema é o comportamento das pessoas nas ruas e calçadas, e esta questão não está prevista de maneira clara no Código de Posturas do município. Por isso não é tão simples autuarmos os donos de bares, embora eles também sejam responsáveis'', argumenta Novaes.
Ricardo Coelho Filho, um dos proprietários do Bar da Silva, acha que simplesmente fechar as portas dos bares não é a solução. ''É uma questão de voltar a lembrar o pessoal que tem gente dormindo por perto.'' Entre os 'pedidos' que deverão ser feitos nos folhetos, estarão o de não gritar ou fazer algazarra na rua de madrugada; não estacionar em frente às saídas de garagens; e não exagerar no volume do som do carro.

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