Campanha do Agasalho mostra que pobres fazem mais doações
O Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) nem terminou a coleta das doações da Campanha do Agasalho, mas já verificou que moradores de bairros da periferia contribuíram mais do que os de classe média e alta de Londrina. Apesar da menor contribuição dos segmentos mais abastados da sociedade, a coordenadora do Provopar, Cristina Barros, avalia como muito positiva a campanha deste ano, especialmente o arrastão realizado no sábado.
Devemos ter recebido cerca de 100 mil peças de roupas, oito mil cobertores, além de alimentos e calçados. Até o dia 20 de junho, quando se encerra a campanha, vamos receber muito mais doações, acredita Cristina Barros.
César AugustoForça da periferiaAmaral, líder comunitário: Até pessoas necessitadas ajudaramO Parque Ouro Verde (zona norte de Londrina) foi um dos bairros que mais contribuíram para a Campanha do Agasalho. O arrastão de coleta foi realizado pela Pastoral da Criança e pela Associação de Moradores. Segundo o presidente da associação, Valdir Amaral, cerca de 70% dos moradores participaram da campanha. O povo do Ouro Verde é muito solidário e participativo, assegura o líder comunitário. As pessoas que passaram por dificuldades e conseguiram melhorar um pouco a situação entendem a importância da solidariedade.
Segundo o presidente da Associação de Moradores, mesmo pessoas carentes do bairro participaram da campanha. Muitas pessoas que também são necessitadas, mas que têm pelo menos emprego e casa para morar, se apresentaram para ajudar. Não tinham roupas de frio e doaram roupas de verão mesmo, comenta Valdir Amaral.
É o caso de Nélia Dolores Nantes. Ela mora em uma casa humilde da Rua Mauritânia, mas fez questão de participar da campanha do Provopar, doando alguma coisa para os mais necessitados. Ela comenta: Pior do que ter pouco é não ter nada.
Quanto mais pobres, mais as pessoas se sensibilizam com o sofrimento dos outros, diz a estudante Luci Maria de Lima. Os ricos não sabem o que é sofrimento. A mãe de Luci, dona Luzia Maria de Lima, manicure que também mora na Rua Mauritânia, complementa: Rico nunca sentiu frio. Não entende o que isso significa.
A coordenadora do Provopar informa que ainda é possível fazer doações nos postos da Sercomtel, em alguns supermercados e nos postos do Provopar do centro da Cidade, na Avenida Higienópolis, 669 (entre as ruas Goiás e Espírito Santo), e na Avenida JK, 2.882 (à altura do Cemitério São Pedro).
Cristina Barros anunciou que hoje será distribuído o primeiro lote das doações - para os índios da Reserva de Apucaraninha . Precisamos de organizar detalhadamente as doações, para que a distribuição seja organizada e justa, sem correr o risco de atender mais a uns do que a outros, diz ela.
A contagem do material já arrecadado deve estar concluída na próxima quarta-feira, apesar das dificuldades de contar com o trabalhos de voluntários ontem, dia do jogo Brasil e Escócia, e hoje, feriado de Corpus Christi. Faço um apelo para que os voluntários da campanha venham colaborar logo depois do futebol e da procissão.César AugustoBairro em açãoAs vizinhas Luci, Nélia e Luzia: solidariedade no Ouro Verde
Áureo Nogueira





