‘‘É uma campanha humanitária e mostra que o jornal está a serviço da sociedade’’. A afirmação é do arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, que participou ontem à tarde do lançamento da campanha SOS Dekassegui, desenvolvida pela Folha de Londrina/Folha do Paraná em parceria com a Associação dos Imigrantes no Brasil (Asibras).
Dom Albano sugeriu que a Asibras busque apoio das companhias aéreas para conseguir passagens e trazer dekasseguis de volta ao Brasil. ‘‘São 260 mil brasileiros que foram ao Japão, o que significa 260 mil passagens aéreas que as companhias venderam. Por que não dar um pequeno retorno agora?’’, questionou. ‘‘Não se trata de dar esmolas, mas de pagar uma dívida aos dekasseguis’’, acrescentou.
O arcebispo de Londrina disse que a Igreja Católica também contribuirá com a companha através das paróquias. ‘‘Vou orientar os padres a identificar seus dekasseguis e famílias para criar até uma rede de ajuda’’, relatou.
Na opinião do vereador Roberto Kanashiro (PSDB), é preciso buscar apoio do governo federal para que haja uma maior fiscalização sobre as agências e empreiteiras. ‘‘É preciso exigir que as agências que levam dekasseguis dêem garantia de emprego certo’’, observou.
Kanashiro espera que a campanha da Folha sensibilize principalmente as famílias que têm parentes trabalhando no Japão. ‘‘Os familiares devem conversar bastante com os dekasseguis e orientá-los a voltar para o Brasil se ficarem desempregados’’. O também vereador Carlos Kita (PTB) afirmou que a campanha é importante para alertar os nipo-brasileiros a somente ir para o Japão se estiverem com garantia certa de emprego.
O vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), George Hiraiwa, disse achar fundamental o contato com familiares de dekasseguis que estão passando dificuldade no Japão. ‘‘Com certeza, os parentes aqui no Brasil têm condições de dar apoio para trazer os familiares de volta’’.
A campanha da Folha, segundo o vice-presidente da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (ACEL), Jaime Gushi, servirá para mobilizar a comunidade nipo-brasileira paranaense em torno do problema. ‘‘Temos que ser solidários aos nossos irmãos brasileiros que estão no Japão’’, ressaltou.
Gushi explicou que ficou sabendo do drama dos dekasseguis através dos meios de comunicação. ‘‘É chocante saber das histórias de pessoas que vão para outro lado do mundo para melhorar de vida e se vêem em condições bastante adversas’’, afirmou.

mockup