Campanha de alunos reduz desperdício de alimentos
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quinta-feira, 01 de setembro de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 


Uma iniciativa dos alunos do quarto ano de uma escola de Londrina tem colaborado para reduzir o desperdício de alimentos na instituição e mostra que ações simples são eficazes na construção de uma sociedade mais sustentável e na formação de cidadãos conscientes sobre a prática do consumo. Há pouco mais de dois meses, as crianças realizam uma sondagem com o objetivo de mensurar o volume de alimentos que ficam no prato e acabam indo para o lixo. Desde o início da pesquisa, os alunos orientam os colegas para evitarem o desperdício e a escola tem feito ajustes no cardápio para reduzir as sobras.
A ideia da sondagem surgiu depois que os alunos observaram uma quantidade grande de alimentos sendo desperdiçados na escola. "Na dormida (dia em que as crianças dormem na escola) vimos que tinha muito desperdício de espetinho. Tinha gente que dava uma mordida só e já jogava fora", conta Gabriel Pussi Farias Accorsi, de 9 anos, aluno do quarto ano da Escola Apoena, chamado de Turma dos Cometas. A partir dessa constatação, eles decidiram iniciar o trabalho que inclui a pesagem e a campanha de conscientização, que se estende a outras turmas. "Ensinamos que quando você pega uma maçã e não aguenta comer mais, corta o pedaço que comeu e dá a outra parte para alguém", explica Elisa Campos Checon, de 9 anos.
A sondagem foi iniciada em maio passado e ganhou um estímulo a mais no início de agosto, após matéria publicada na FOLHA sobre a campanha contra o desperdício lançada pela direção do Restaurante Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A professora Maria Helena Paiva Pereira levou o jornal para a sala de aula para reforçar as discussões sobre o tema. "Eles se surpreenderam ao saber que as crianças grandes do RU estavam desperdiçando comida", disse a professora. "Na sondagem, medimos apenas o resto consumível. Se tiver uma carne com osso, por exemplo, os ossos não entram na pesagem."
Na escola, o almoço é servido às quartas-feiras, dia em que os alunos do quarto e quinto anos têm atividades em período integral. Ao todo, são servidas 29 refeições e depois que todas as crianças terminam de comer, o que sobrou no prato de cada uma delas é depositado em um saco plástico e, antes de ir para o lixo, passa pela balança. O conteúdo pesado vai para um gráfico afixado na parede da sala de aula. Uma rápida observação do desenho feito pelas crianças permite perceber a redução gradual da quantidade de alimentos desperdiçada na escola desde o início da campanha.
No dia 18 de maio, na primeira medição feita pelos alunos, a balança apontou 1,4 quilo de alimentos descartados. Na segunda semana, o volume aumentou para 2,4 quilos. Mas a partir de 1º de junho, começou a ocorrer um declínio que se mantém desde então. Nas duas últimas semanas, o descarte somou pouco mais de 800 gramas, uma redução de 66%.
Além do volume, as crianças anotam também o cardápio servido no dia. Assim, é possível um controle dos alimentos que mais agradam ao paladar dos alunos. "Na primeira (medição) eu fiquei preocupada. Na segunda, foi enorme. O maior desperdício foi de estrogonofe e a gente viu que muita gente gosta de macarrão. Aí a gente dá um alerta para a cozinheira", disse Elisa.
O trabalho deve continuar até o final do ano e o aprendizado na escola é estendido para dentro das casas das crianças e, assim, a campanha vai se multiplicando. "Eu falo sobre o desperdício com a minha babá", disse Helena Biazzono Dutra, de 9 anos.
Para Francisco Garcia Lima Gonçalves, de 8 anos, a maior preocupação é saber que enquanto há pessoas passando fome, outras estão jogando alimentos no lixo. "O pior do desperdício é isso. A gente joga fora a comida e têm outras pessoas que não têm o que comer."


