Campanha da Fraternidade combate a discriminação
Michele Muller
De Curitiba
Lançada ontem em Curitiba, a Campanha da Fraternidade deste ano irá fazer com que a discriminação e a pobreza sejam o principal alvo de discussão entre as comunidades cristãs. Com um tema abrangente -Dignidade Humana Novo Milênio Sem Exclusões - a proposta é sustentada por uma série de dados estatísticos que vêm chamando atenção das autoridades religiosas.
Os trabalhadores que ganham o salário mínimo de R$ 136,00, fazem parte do grupo de pessoas que o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) considera como excluído da sociedade. No Paraná, cerca de 242 mil famílias residentes em domicílios particulares vivem dessa renda, segundo dados de 1997 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse número representa 9,1% do total de famílias paranaenses com moradia.
Os negros, os índios e as mulheres são os mais atingidos pela pobreza. O texto-base da Campanha da Fraternidade cita uma pesquisa realizada em 98, pelo IBGE, como exemplo da influência desses fatores no salário do trabalhador. Homens brancos, com 12 ou mais anos de estudo, recebem, em média, R$ 881,00 mensais. Esse valor cai para R$ 559,00 quando o empregado for mulher, com o mesmo tempo de estudo. Homens negros com igual escolaridade, ganham ainda menos: R$ 423,00. As mulheres negras, mesmo tendo bom nível cultural, são as mais discriminadas, recebendo salário médio de R$ 266,00 por mês.
Segundo o professor Joarez Virgolino Aires, coordenador do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEEB), as igrejas paranaenses ainda não determinaram quais serão as soluções práticas que poderão melhorar a qualidade de vida dos excluídos. Cada autoridade religiosa terá autonomia para definir projetos e irá encaminhar seus trabalhos de acordo com as possibilidades.
Para o reverendo Carlos Eduardo Calvani, da Igreja Anglicana, as soluções para o preconceito devem começar a ser tomadas dentro das próprias comunidades cristãs, que também têm seus mecanismos de exclusão. Como exemplo de discriminação, ele cita o fato de mulheres serem excluídas do sacerdócio. Uma boa parte da população apresenta vocação religiosa mas não pode exercê-la por causa de restrições nas igrejas.
O padre Livino Blacher acredita que a Igreja Católica já passou por muitas mudanças em relação a preconceitos. As mulheres estão, aos poucos, conquistando muitos direitos. A Igreja Anglicana permite que elas sejam sacerdotisas. Nós ainda não chegamos lá porque mudanças não acontecem de uma hora para outra, disse.





