Campanha critica mudanças no ensino
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quarta-feira, 09 de abril de 1997
Adriana De Cunto 
Paulo WolfgangNo ChampagnatLançamento da campanha dos estudantes foi num colégio que, segundo eles, está caindo aos pedaçosO ano da educação não resolveu o problema da minha escola. Com uma campanha que leva esse nome, a União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (Ules) pretende mobilizar a comunidade para discutir os problemas da educação no Brasil e tentar sensibilizar os governos Federal e Estadual no sentido de solucionar os principais problemas que afetam escolas, professores e alunos.
A campanha foi lançada ontem pela manhã no salão nobre do colégio Marcelino Champagnat, área central de Londrina. O presidente da Ules, Alessandro Safraide, lembra que o Governo Federal anunciou 96 como o ano da educação. Mas aquilo foi uma estratégia de marketing. No ano passado houve até cortes de verba na área da educação, reclama Safraide.
Com a campanha, a Ules quer defender três questões: autonomia universitária e gestão democrática; mais verbas para a educação; a escola pública gratuita e de qualidade. E, ainda, se manifestar contrária ao decreto de reformulação do ensino técnico, ao Projeto de Reforma do Ensino Médio (Proem), à nova lei das mensalidades e a privatização da Vale do Rio Doce.
Com o Proem, as escolas estaduais passariam a oferecer apenas o ensino regular no 2º grau; o ensino profissionalizante seria oferecido depois. A lei das mensalidades diz respeito à regulamentação e fiscalização do preço das mensalidades das escolas particulares. Enquanto o Governo quer que o Ministério da Fazenda fique com esta atribuição, as entidades estudantis defendem que o trabalho deverá ser feito pelo Ministério da Educação. O governo está tratando a educação como se fosse um produto de consumo, diz o tesoureiro geral da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Cláudio Nogueira, que veio de São Paulo para participar do lançamento da campanha.
Quanto à reformulação do ensino técnico, os estudantes são contrários à proposta do Governo de separar o ensino técnico do propedêutico. A idéia do Governo é que o ensino técnico seja ministrado através de blocos que duram seis meses. Somos contrários a isso, avisa Cláudio.
Além desses problemas, que dizem respeito a todos os estudantes, Alessandro Safraide lembra alguns que afetam principalmente os alunos das escolas públicas de Londrina. Um deles é o estado precário em que se encontram os prédios dos colégios - a maioria necessitando de reformas, ampliação e até de carteiras. Foi por isso que escolhemos o Marcelino Champagnat para lançar a campanha, justifica Alessandro. É o terceiro maior colégio estadual de Londrina e está caindo aos pedaços.
Participaram da cerimônia de lançamento da campanha O ano da educação não resolveu o problema da minha escola representantes da Ules, Ubes, do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Estadual de Londrina, o diretor do colégio Marcelino Champagnat, Fortunato Zani Neto, além de estudantes. Durante a solenidade, a professora de Antropologia da UEL Marcolina Tomazine de Carvalho ministrou uma palestra defendendo o ensino público gratuito e de boa qualidade.


