Luciana Pombo
De Curitiba
A coleta de assinaturas contra a autuação e multa dos motoristas através da fiscalização eletrônica, promovida por partidos de oposição, terminou em tumulto ontem pela manhã, na Boca Maldita, centro de Curitiba. O tumulto começou após a apreensão de adesivos e panfletos vinculando o prefeito Cassio Taniguchi à ‘‘indústria de multas’’. Um oficial de justiça, acompanhado por policiais militares, disse que tinha um mandado de busca e apreensão do material.
Antes mesmo de terminar a apreensão, o professor universitário Cláudio Fajardo foi preso. A alegação era a de que ele teria desacatado a autoridade policial. ‘‘Ele desacatou a autoridade policial e vai ser preso’’, garantiu o tenente Marco, que não quis se identificar. A prisão provocou reação da população, que não deixou que o professor fosse levado até a viatura policial. A saída foi cercar o professor dentro da Galeria Tijucas, fazendo uma barreira policial para impedir a manifestação popular.
Depois de uma hora de negociação entre os policiais e o ex-deputado federal Maurício Requião, presidente do diretório municipal do PMDB, o professor foi liberado. ‘‘Estamos aqui para convidar o cidadão a assinar um pedido para a criação de um projeto de lei que rediscuta as multas eletrônicas’’, disse Requião.
‘‘A polícia está abusando da sua autoridade e impedindo que a população exerça a democracia. Este ato foi insano por parte da administração pública’’, acusou o ex-deputado. O professor, que teve a camisa rasgada pelos policiais, disse que não irá permitir que as manifestações públicas sejam caladas pela autoridade policial. ‘‘Eu agradeço o povo porque se não fosse pela ação dos curitibanos nesta praça, pressionando a polícia, eu estaria agora preso injustamente’’, afirmou ele.
A população ficou revoltada com a atitude policial. ‘‘Se eu fosse um policial militar, jogaria neste momento minha farda na rua’’, disse o aposentado Evaldo Hugo Oleszczak. ‘‘Além de tudo os policiais são burros, estão fazendo com este tipo de violência propaganda a favor do movimento’’, ironizou Péricles Augusto da Silva, gerente de imobiliária. ‘‘Agora estou com medo de assinar o manifesto, posso ser preso e agredido a qualquer hora’’, reclamou o artista Carlos Roberto Teles.
O secretário de governo da prefeitura, Marcos Isfer, confirmou ontem o pedido de apreensão pela Procuradoria do Município, mas afirmou que a prefeitura não teve nada a ver com o confronto da PM com os manifestantes. Além desta apreensão na Boca Maldita, foram confiscados os adesivos que estavam na sede estadual do PMDB. O secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, estava ontem em Minas Gerais mas garantiu que irá pedir explicações do comando da Polícia Militar sobre a atitude tomada pelos policiais no centro de Curitiba. ‘‘Temos que saber porque houve a detenção de um professor por parte da autoridade policial antes de tomar qualquer medida administrativa’’, afirmou ele.

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