Campanha contra drogas é feita por dependentes
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de dezembro de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Comunidade Terapêutica Dia (CTDia), que atende dependentes químicos em Curitiba, começa a veicular em janeiro uma campanha cuja produção teve colaborações decisivas de pessoas atendidas pela entidade. De acordo com os idealizadores do projeto, 22 dependentes em tratamento auxiliaram em todas as etapas de desenvolvimento da campanha, desde a discussão de idéias para os anúncios até a escolha do elenco que atuou nos pequenos filmes que serão inseridos em intervalos comerciais na televisão.
''Eles participaram de uma oficina, na qual traziam as idéias e a gente ajudava a organizá-las'', afirmou Renato Cavalher, diretor geral de criação da OpusMúltipla, empresa de comunicação que desenvolveu os anúncios. A iniciativa é pioneira no Brasil. Foram produzidos folders, cartazes, composições visuais para outdoors e jornais impressos e inserções para rádio e televisão. Excetuando-se a impressão dos folders, a confecção dos materiais foi feita gratuitamente por empresas parceiras do projeto.
Cavalher disse que jornais, exibidores de outdoors, emissoras de rádio e TV e a Prefeitura de Curitiba (para afixar cartazes em pontos de ônibus) já aceitaram veicular os anúncios sem cobrar pelo espaço publicitário. Os materiais trazem mensagens contra as drogas e apresentam o telefone da CTDia. ''Ao invés de falar de prevenção, eles (os dependentes químicos) acharam melhor que a campanha desse uma orientação para quem está sofrendo com o problema e precisa de tratamento'', comentou o diretor.
Houve a preocupação de fazer anúncios com imagens e mensagens extremamente contundentes. Durante o processo, os publicitários aprenderam com os dependentes químicos que as campanhas anti-drogas tradicionais são quase sempre ineficazes.
''Nunca prestei atenção nesse tipo de propaganda. Olhava essas campanhas com deboche. Não havia nada nelas que me tocasse. A campanha que ajudamos a fazer ficou bem melhor'', disse Bruno César de Oliveira, 20 anos, que passou por tratamento na CTDia.
Segundo Higino Bodziak, médico responsável pela entidade, a campanha visa também atrair patrocinadores para a CTDia. Atualmente, apenas uma empresa colabora financeiramente com a comunidade, ao custear tratamentos de alguns dependentes químicos.
''Queremos mais de uma unidade da CTDia. Não só em Curitiba, mas também em Londrina, outras cidades do Paraná, e até de fora do Estado'', explicou Bodziak. Os tratamentos realizados pela CTDia, que iniciou atividades no ano passado, são feitos sem internamento do paciente.


