Acostumados a lidar com vítimas de acidentes de trânsito no cotidiano, funcionários da Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal) - que reúne os hospitais Santa Casa, Mater Dei, Hospital Infantil e San Rafael (Rolândia) - acabam ocupando os leitos em decorrência de acidentes de percurso. De janeiro a agosto deste ano, 16 funcionários foram afastados por esse motivo, representando 26% do total de 60 acidentes de trabalho. Os casos de 2008 superam em 17% os números do mesmo período do ano passado, quando foram registrados 111 acidentes, mas apenas 10 deles no percurso entre residência e os hospitais.
O aumento no número de ocorrências chamou a atenção da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) que, aproveitando o mote da Semana Nacional de Trânsito, celebrada de 18 a 25 de setembro, realizou ontem uma campanha para reduzir essas estatísticas. Durante todos os horários de entrada e saída dos 1,5 mil funcionários dos quatro hospitais, os cipeiros fizeram abordagens com entrega de panfletos alertando sobre os perigos do trânsito e dando dicas simples de prevenção.
Os 16 acidentes resultaram em 253 dias de afastamento. As licenças custaram R$ 5 mil à Iscal, relativos às despesas com substituições. ''O funcionário perde em qualidade de vida e a empresa perde em recursos que poderiam ser investidos em outras necessidades e melhorias. Todo mundo sai perdendo'', afirmou a analista de Recursos Humanos Renata Gusmão, presidente da Cipa da Santa Casa.
Os acidentes com moto lideram a lista de ocorrências de percurso. Foram seis acidentes em motocicletas, quatro a pé (quedas em buracos nas ruas e calçadas), três de ônibus (mal jeito em frenadas bruscas e escorregões na descida), dois de carro e um de bicicleta.
A recepcionista Gabriela Matesco Carreteiro sofreu na pele essa perda. Ela se acidentou de moto, teve fratura exposta no pé e está afastada desde o dia 4 de junho. A enfermeira Gisele Andrade Menolli enfrentou o mesmo drama. Ela se acidentou em dezembro de 2007, fraturou duas vértebras e ficou três meses afastada do trabalho. ''Foi horrível, eu não conseguia levantar da cama sozinha'', recorda.
Também funcionário da Santa Casa, o auxiliar administrativo Sérgio Roberto da Silva é marido de Gisele e dirigia a moto quando houve a colisão com outra motocicleta que ultrapassou o sinal vermelho. ''Estou muito mais cuidadoso. Não confio mais no sinal verde'', contou.
Estatísticas do Centro de Emergência e Trauma (CET) da Santa Casa, um dos hospitais da cidade que mais atende o Siate, revelam que 3% de todo atendimento do primeiro semestre deste ano foi acidente de trânsito. A média nesse período na Santa Casa é de 134 acidentados/mês. Entre eles, oito por mês são vítimas de atropelamento.
A maioria dos acidentes atendidos no hospital é de gravidade média. Cada um deles permanece internado em torno de 6 dias. O custo total médio desse tratamento é de R$ 5 mil reais. A maioria é usuária do Sistema Único de Saúde (SUS), que cobre 40% dos custos. O hospital arca com o restante.

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