Campanha combate auto-medicação
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quarta-feira, 12 de maio de 2004
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
''De vez em quando, se estou com dor de cabeça, tomo remédio por conta.'' A afirmação da zeladora Maria Célia da Silva, 35 anos, é uma das motivações da Campanha Nacional pelo Uso Correto de Medicamentos, realizada por centros e diretórios acadêmicos e organizado pela Executiva Nacional dos Estudantes de Farmácia (Enefar). Na cidade, 40 alunos do curso da Universidade Estadual de Londrina (UEL) fizeram ontem abordagens para conscientizar a população sobre a importância da atuação do profissional farmacêutico e dos riscos da auto-medicação.
''A campanha não tem um público alvo específico. Mas procuramos priorizar pessoas com menor esclarecimento'', revelou o estudante Alexandre Cézar Casimiro, 23, do quarto ano da UEL. Mil e quinhentos panfletos explicativos seriam distribuídos na tarde de ontem no Calçadão e outros pontos de movimento na Área Central. ''Também esclarecemos como identificar o farmacêutico na farmácia'', salientou a aluna Ana Paula Muta dos Santos, 21, do 3º ano do curso. O panfleto explica que o profissional formado no curso deve ter presença obrigatória no estabelecimento ''durante todo o período de funcionamento da farmácia.'' O farmacêutico usa crachá com nome, cargo, foto e número de registro no Conselho Regional de Farmácia (CRO).
Outra meta é apontar os riscos do uso indiscriminado de antibióticos, considerado um dos tipos mais arriscados de auto-medicação. ''(O antibiótico) Deve ser o mais específico possível, para que não surjam bactérias mais resistentes aos medicamentos'', afirmou Casimiro. Apesar do esforço dos futuros profissionais, a auto-medicação é relativamente comum em todo o País.
Um exemplo é o lavrador José Gonçalves Neto, 59. Ele revela que tem o costume de ''experimentar o remédio para ver se funciona'', sem procurar atendimento especializado. ''Não tenho consultado médico nem farmacêutico. Já abandonei e entreguei para Deus'', declarou.
O mestre de produção José Carlos da Silva, 54, sempre procura atendimento profissional. ''Procuro não fazer auto-medicação. Cada pessoa é uma pessoa. O remédio bom para um pode não ter nada a ver com o problema de outro'', avaliou.
''O importante é o diálogo entre o farmacêutico e o paciente. É um dever do profissional esclarecer que o medicamento não é um fim, mas um meio para alcançar a cura'', resumiu Casimiro. A dona de casa Maria Telma dos Passos, 29, entendeu o recado dos estudantes. ''Não confio numa indicação de qualquer pessoa. O remédio pode ter alguma contra-indicação que a gente não sabe. Consultando quem sabe, não tem erro'', decretou.


