Edson MazzettoMarcação cerradaPoliciais em ação na BR-369 e o comandante da 3ª companhia: combate aos ‘imorais’ e ‘abutres’A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) iniciou ontem campanha de conscientização de motoristas, passageiros de ônibus e principalmente compristas que vão ao Paraguai para que evitem a corrupção de policiais com propinas em dinheiro e outras formas de aliciamento. A PRE pede a colaboração das pessoas que cruzam a fronteira para denunciar de forma concreta patrulheiros que peçam propinas.
A campanha foi iniciada na BR-369, que liga a região Oeste ao Norte do Paraná, e será levada à PR-182 (ligação com o Sudoeste do Estado e Sul do País). Estas são as duas rodovias estaduais que recebem o tráfego da BR-277 (Foz do Iguaçu-Paranaguá), porta de entrada dos compristas de todo o Brasil em direção a Ciudad del Este. A maioria das denúncias contra patrulheiros parte exatamente dos compristas.
Os patrulheiros estão distribuindo folhetos com orientações nos postos rodoviários, postos de gasolina e em barreiras. O folheto alerta que o pagamento de propinas ‘‘alimenta abutres insaciáveis’’. Também acusa quem oferece propina de perder a dignidade e o respeito próprio.
A campanha solicita especialmente a denúncia de casos em que policiais pedem propinas em troca de facilitar a liberação de veículos. ‘‘A denúncia deve explicitar dia, horário, local e quem são os imorais’’, diz o folheto. A identificação se torna fácil pois os patrulheiros têm nome escrito no bolso da camisa.
A PRE também esclarece a diferenca entre o pessoal que atua nas rodovias, as organizações a que pertencem e suas tarefas, lembrando que patrulheiros estaduais usam quepe vermelho. A fiscalização sobre mercadorias oriundas do Paraguai é de responsabilidade da Receita Federal ou da Estadual, cabendo aos policiais rodoviários apenas o apoio e a fiscalização sobre documentos dos carros, seu estado de conservação e controle de velocidade.
Quem tiver denúncias concretas pode telefonar para qualquer um dos postos da PRE no Estado, para o Comando em Curitiba, ou mesmo para as sedes das companhias. O comandante da 3ª Companhia da PRE, em Cascavel, capitão José Carlos Augusto Pinto, disse ontem que a campanha interessa diretamente aos próprios policiais.
‘‘Eles têm seu nome e o da corporação a zelar, e não querem ser confundidos com as exceções em termos de comportamento irregular.’’ Na maior parte dos casos, as denúncias ficam apenas na informalidade. ‘‘Sem serem precisas, elas impedem punições, por falta de provas.’’

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