Ney de SouzaIndignaçãoSarah Kobel, secretária-executiva da Uneap: ‘invasão é uma vergonha’ Entidades ambientalistas de todo o mundo estão enviando cartas ao governador Jaime Lerner (PFL) e ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para cobrar a retirada do grupo de moradores e políticos das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná que invadiu o Parque Nacional do Iguaçu no dia 11 de janeiro. O objetivo dos manifestantes é obter a reabertura legal da Estrada do Colono, que corta o parque em 17,6 km e encurta em 120 km a ligação entre as duas regiões.
Uma decisão da Justiça Federal, do dia 14 de janeiro, determinou a retirada dos invasores ainda não foi cumprida. Nas cartas, as Organizações Não-Governamentais (ONGs) ambientalistas cobram que o governo paranaense utilize a Polícia Militar para fazer a desocupação da área. Se isso não for possível, eles pedem que o presidente Fernando Henrique determine que o Exército seja encarregado do despejo. ‘‘A Polícia Federal, o Exército e a Marinha poderão ser acionados para retirar os invasores do Parque do Iguaçu’’, afirmou ontem o diretor de Ecossistemas do Ibama, Ricardo Soavinsky. ‘‘Se estes invasores não recuarem, vamos usar a força’’, disse.
A campanha internacional foi lançada pela União das Entidades Ambientalistas do Paraná (Uneap), que reúne mais de cem ONGs. ‘‘O parque é um patrimônio da humanidade e a invasão é um vexame para o Brasil’’, disse a secretária-executiva da Uneap, Sarah Azevedo Kobel.
O Parque do Iguaçu foi tombado pela Unesco em 1986 como Patrimônio Natural da Humanidade. Segundo Sarah, a principal condição para o tombamento foi o fechamento definitivo da estrada.
Fechada desde 86, em maio de 97, a estrada foi reaberta à força pelos mesmos manifestantes que retomaram a ocupação em janeiro. Em julho do ano passado, o grupo se retirou da área depois que o Ibama prometeu rever, em três meses, o Plano de Manejo. A promessa não foi cumprida.
A Uneap também está liderando uma ameaça de boicote internacional ao turismo em Foz do Iguaçu, como forma de pressionar para a retirada dos invasores.
Ontem, Sarah Kobel se reuniu com os presidentes da Paraná Turismo, Wádis Benvenutti; e da Foztur, Miguel Sória. ‘‘Tentamos mostrar que o boicote prejudicaria 250 mil pessoas que dependem do turismo’’, afirmou Sória. Segundo Benvenutti, a Paraná Turismo vai desenvolver com a Uneap um projeto de educação ambiental nos municípios que cercam o Parque.

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