A campanha para castração de cadelas abandonadas ou semidomiciliadas - que passam o dia na rua e só voltam para a casa dos donos na hora de dormir -, iniciada no dia 7 de setembro pela organização não-governamental (ONG) londrinense SOS Animal, está quase no fim. Segundo a presidente da ONG, Andrea Jacomossi Sant'Anna, 85 dos 97 animais que deveriam ser castrados no Conjunto Novo Amparo (Zona Leste) já foram atendidos pelos médicos veterinários voluntários do projeto.
O trabalho de castração envolveu os cerca de 30 voluntários da organização, que encaminharam diariamente de oito a 10 animais para as clínicas veterinárias. De acordo com Andrea, apenas três cadelas não puderam ser castradas porque estão prenhas, ''mas os donos se comprometeram a procurar um veterinário depois que os filhotes nascerem'', disse.
A presidente da organização acredita que até o final da próxima semana os trabalhos devem ser concluídos. ''Iremos preparar um relatório com os pontos positivos e negativos do projeto para apresentar à prefeitura, à universidade e outras entidades para tentar conseguir apoio para a continuação da campanha em outros bairros'', contou Andrea.
Segundo ela, muitos animais estão doentes, com anemia ou cheios de carrapatos, ''o que dificultou o trabalho de castração'', afirmou. Os custos do projeto foram pagos pela própria ONG, a partir de recursos obtidos com a venda de camisetas, bonés, adesivos, além de rifas. ''Os veterinários doaram a mão-de-obra, mas os materiais para a castração foram comprados pela organização'', informou Andrea.
Em 17 anos de trabalho, a ONG já castrou mais de 30 mil animais em Londrina. ''O serviço, que deveria ser feito pelo poder municipal ou até mesmo estadual, não é prioridade. A gente leva o problema até as autoridades, mas elas só reconhecem quando chega ao ponto de precisar exterminar os animais por excesso de população. O problema não é tratado com responsabilidade'', observou a presidente da organização.
Hoje, calculou Andrea, devem existir de 30 a 35 mil cães e gatos abandonados nas ruas. ''É difícil distinguir entre os abandonados e os semidomiciliados'', declarou. A entidade cuida ainda de outros 130 animais, ''mas não tem estrutura física nem condições financeiras de arcar com as despesas de ração, vacinas e castrações'', ressaltou.
''Apesar de não recebermos ajuda, temos o compromisso de resolver a maior parte dos problemas relacionados a animais na cidade'', assinalou Andrea. Ontem pela manhã, durante a feira de animais realizada no Calçadão de Londrina, Andrea precisou emprestar dinheiro do próprio bolso para um catador de papel comprar remédios para a égua que puxa o carrinho com o qual ele trabalha. ''Ajudar pessoas carentes que não têm como cuidar dos animais é uma constante em nosso trabalho'', concluiu a presidente da SOS Animais.

Serviço - A SOS Animais recebe doações em dinheiro, ração ou vacinas, além de denúncias de maus-tratos de animais pelo telefone 9996-0027.

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