Como qualquer outro menino de sua idade, Geovani Letenski, 8 anos, adora sair para a rua, brincar e andar de bicicleta. Há pouco mais de dois anos, porém, os pais têm tomado um cuidado maior para evitar que o menino se machuque. Geovani sofre de um problema chamado falência medular, que ocorre a partir da falta de produção das células sanguíneas. O caso do menino, que mora em Campo Mourão (Noroeste) só pode ser resolvido com um transplante de medula óssea. Para ajudar o garoto, será realizada uma campanha hoje em Mamborê (36 km ao sul de Campo Mourão)
O problema de Geovani foi descoberto em 2004, por um acaso, quando a família levou o menino até um médico. ''Ele sempre falava muito e muito alto. Levamos ele para fazer alguns exames e o médico disse que não havia problema nenhum no ouvido dele, mas sim no sangue. Desde então não paramos mais com os exames'',
diz o pai do menino, o advogado Deonízio Letenski.
Segundo Letenski, uma pessoa normal possui cerca de 150 a 350 mil plaquetas no organismo, Geovani está com 11 mil, menos de 10% que a quantidade normal. ''Realizamos exames quase todo mês e esse número só vai baixando. Aparentemente o Geovani não parece ter nada. Ele só tem umas manchinhas roxas nas pernas porque quando bate em algumn lugar o corpo não consegue curar o hematoma fácil. Médicos até se surpreendem pelo fato dele ainda estar tão bem''.
Para ajudar Geovani, a Prefeitura de Mamborê e o Hemonúcleo realizam hoje uma campanha de doação. Serão coletadas amostras de sangue de interessados em ser cadastrados no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). O sangue será usado na análise de medula (exame de laboratório para identificar a característica genética e determinar que tipo de receptores podem receber a doação).
Em todo o Brasil, existem apenas 360 mil doadores cadastrados. Em Londrina 13.288 pessoas se dispuseram ao cadastro. Em Campo Mourão e região, desde o início da campanha em fevereiro, cerca de 2.300 pessoas aderiram ao cadastro. Como a compatibilidade é um fator que torna a doação efetiva quase rara, quanto mais pessoas estiverem cadastradas no Redome, maior é a probabilidade de Geovani e outras pessoas que precisam do transplante conseguirem um doador compatível.
''A chance de encontrar um doador compatível é quase de uma em um milhão. No Brasil não temos nem um milhão, ou seja, fica mais difícil ainda. A família está toda sensibilizada. Precisamos que as pessoas e a sociedade civil em geral, por meio de Rotarys, por exemplo, nos ajudem nessa campanha, pois muitas pessoas como o Geovani estão precisando'', alerta o pai do menino.
Serviço - A coleta do sangue de quem quiser se cadastrar no Redome será realizada hoje, das 8 às 16 horas, no Centro de Saúde, na Avenida São Josafat, 1.426.

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