Além do apoio material, com a doação de refeições, hospedagem e medicamentos,
os pacientes e seus familiares recebem apoio emocional e psicológico na ONG
Além do apoio material, com a doação de refeições, hospedagem e medicamentos, os pacientes e seus familiares recebem apoio emocional e psicológico na ONG | Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

Nesta quarta-feira (7), funcionários das lojas do McDonald's em Londrina participaram de um café da manhã na ONG Viver, em Londrina. A confraternização foi organizada para que eles pudessem conhecer de perto o trabalho feito por funcionários e voluntários da casa de apoio e acolhimento a crianças e adolescentes com câncer. No próximo dia 24, cada um dos atendentes da rede de lanchonetes em todo o Brasil doará seu dia de trabalho à causa como acontece desde 1988, quando foi iniciada a campanha McDia Feliz. Nesse dia, toda a renda obtida com a venda do sanduíche Big Mac é destinada a entidades assistenciais que atuam nas áreas da saúde e da educação.

Em Londrina, a beneficiária é a ONG Viver, que desde 2002 recebe a ajuda extra para dar seguimento a projetos e obras de melhorias. As seis lojas da rede em Londrina irão participar da ação social, que acontece sempre no último sábado de agosto. No ano passado, a ONG recebeu R$ 170 mil provenientes da campanha e a meta é superar o resultado. Para isso, foram colocados para venda antecipada seis mil tickets no valor de R$ 17 e a expectativa é comercializar outros oito mil vale sanduíches no dia do evento, quando o preço poderá ser maior.

Os valores arrecadados com a venda antecipada são revertidos integralmente à ONG e a quantia resultante das vendas no balcão no dia do evento é dividida: 70% vão para a ONG e os outros 30% são destinados ao Instituto Ayrton Senna do Brasil, que desenvolve ações com crianças na área da educação. A promoção da campanha é do Instituto Ronald McDonald.

Neste ano, quem colaborar com a campanha estará ajudando a ONG a desenvolver dois projetos. Um deles é o “Dos Pés à Cabeça – Diagnóstico Precoce do Câncer Infantojuvenil”, que tem como objetivo capacitar profissionais de saúde para que estejam aptos a diagnosticarem precocemente a doença no público assistido pela casa de apoio. O outro projeto, “Construtores da Esperança: Ampliando Horizontes”, que consiste na ampliação da sede atual, localizada na rua Lucilla Ballalai, 391, em frente ao Hospital do Câncer.

“A gente os convida (funcionários do McDonald's) para eles saberem pelo que estão trabalhando. É uma oportunidade de estarem aqui, conhecerem o nosso trabalho, conhecerem os pacientes e seus familiares e se sensibilizarem. Eles oferecem no caixa o cupom da campanha aos clientes, participam ativamente”, disse a membro do Conselho Fiscal da ONG Viver e coordenadora da campanha McDia Feliz, Helen Mendonça Orsi.

Em 17 anos como beneficiária da campanha, a ONG executou diversos projetos que só puderam ser viabilizados em razão do recurso doado pela rede de lanchonetes. Alguns deles foram realizados em parceria com o Hospital do Câncer, firmada em 2014. A aquisição da primeira sede própria, a implantação da brinquedoteca e da sala de informática e a compra da mobília e dos equipamentos do consultório odontológico foram possíveis graças ao dinheiro recebido da campanha . O dinheiro da compra do terreno para ampliação da atual sede também teve a mesma origem. Três campanhas foram necessárias para que a entidade pudesse efetivar a compra.

Entre as parcerias com o Hospital do Câncer, as doações da campanha permitiram equipar o centro cirúrgico pediátrico e a ala de quimioterapia pediátrica e implantar o Projeto Sorrir, que oferece assistência odontológica às crianças em tratamento. “O McDia Feliz é uma das campanhas mais importantes no ano para nós”, resumiu Orsi.

CORRENTE DO BEM

A campanha McDia Feliz acontece no dia 24 de agosto, das 10 às 22 horas nas lojas dos shopping centers e das 10 à meia-noite nos drive-thru. Além da compra dos tickets, empresas e pessoas físicas também podem participar da Corrente do Bem, apadrinhando outras instituições. Os elos da corrente doam os valores em dinheiro para serem revertidos em sanduíches que farão a alegria de crianças e adultos assistidos por outras instituições. A doação pode ser feita pelo site www.ongviver.org.br até o dia 20 de agosto. Os tickets antecipados serão vendidos até o dia 23.

UMA FAMÍLIA

Receber o diagnóstico de câncer é sempre difícil e para enfrentar o tratamento longo e doloroso muitas famílias são obrigadas a deixar o trabalho de lado para se dedicar exclusivamente à criança ou adolescente. Junto com a doença, vêm as dificuldades materiais, a tristeza, a depressão. Quem chega na ONG Viver, encontra conforto para todas as dificuldades. Além do apoio material, com a doação de refeições, hospedagem, medicamentos, suplementos alimentares, fraldas e cestas básicas, os pacientes e seus familiares também recebem apoio emocional e psicológico.

O que eles fazem aqui na ONG não tem explicação. Fico pensando se a casa não existisse. Seria muito difícil”, afirma Juliana de Almeida, cuja filha de cinco anos está em tratamento contra câncer
O que eles fazem aqui na ONG não tem explicação. Fico pensando se a casa não existisse. Seria muito difícil”, afirma Juliana de Almeida, cuja filha de cinco anos está em tratamento contra câncer | Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

A filha mais nova de Juliana Pereira de Almeida está há dois anos em tratamento contra um tumor. Desde que o problema de saúde foi diagnosticado em Mariana, cinco anos, a mãe procurou o auxílio da ONG e encontrou todo o suporte necessário para tornar um pouco mais leve a luta pela recuperação da menina. “Eles doam leite, suplemento, medicamento e almoço nos dias de consulta. Mesmo morando aqui em Londrina, só o deslocamento que a gente faz de casa até o hospital gasta muito. O que eles fazem aqui na ONG não tem explicação. Fico pensando se a casa não existisse. Seria muito difícil”, comentou.

Segundo Almeida, na entidade a filha se distrai com atividades lúdicas e consegue esquecer os procedimentos médicos. A avó da menina e a irmã mais velha, de 12 anos, também são assistidas pela psicóloga da ONG. “Aqui nós acabamos nos tornando uma família”, comentou a mãe.

Érica Aparecida Fonseca da Silva ainda tenta entender todo o processo de tratamento contra o câncer. O filho mais novo dela, Brian, de apenas um ano, fez uma cirurgia para retirada de um tumor na cabeça e está há 18 dias internado na UTI pediátrica do Hospital do Câncer. A família vive em Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro) e há quase 20 dias Silva está fora de casa. “Fico na UTI com o meu filho todo o tempo. O hospital atende muito bem, mas foi aqui na ONG que encontrei quem me escutasse. É aqui que encontro apoio e posso chorar. Eu estava tentando processar tudo o que está acontecendo com o Brian e aqui eles estão me ajudando. É muito difícil ficar tanto tempo longe de casa. Parei toda a minha vida para cuidar dele, saí do emprego. E tenho dois outros filhos mais velhos que estão com a avó. Só Deus e a ONG me ajudam a suportar tantas dificuldades. Não tenho palavras para descrever o que é esse lugar. É como se fosse a minha casa”, desabafou Silva.

O filho de Érica Aparecida Fonseca da Silva está internado no Hospital do Câncer: "Aqui na ONG encontrei quem me escutasse. É aqui que encontro apoio e posso chorar"
O filho de Érica Aparecida Fonseca da Silva está internado no Hospital do Câncer: "Aqui na ONG encontrei quem me escutasse. É aqui que encontro apoio e posso chorar" | Foto: Gina Mardones - Grupo Folha
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