Maigue Gueths
De Curitiba
Em 25 de setembro, a Folha publicou matéria falando do drama vivido por Vitor Giovani Thomaz Guidi, de 10 anos. Na época, sua família, de Curitiba, pedia ajuda a laboratórios farmacêuticos e médicos para descobrir onde obter a enzima Beta-Galactose, única esperança para reverter a doença do filho. ‘‘Depois da matéria, a Promotoria de Londrina entrou em contato com o Ministério da Saúde em Curitiba e com a Promotoria de Defesa da Saúde Pública para tomar providências e abrir os caminhos para que se consiga importar a enzima’’, diz, quase três meses depois, Adolfo Celso Guidi, pai de Vitor.
Segundo Guidi, além da abertura do processo pelo Promotor, diversas famílias com casos semelhantes entraram em contato com sua família e um laboratório farmacêutico providenciou uma lista de empresas que fabricam a enzima em todo o mundo. Ele, agora, aguarda a resposta destas empresas.
Guidi, entretanto, nunca esperou de braços cruzados um milagre para a cura de seu filho. Desde os 3 anos, quando a doença começou a se manifestar, passou a estudar o assunto, pesquisar na Internet, visitar médicos e procurar respostas. ‘‘Meu filho, hoje, é outro. Ele ganhou peso e força, já pisa com toda a planta do pé, tem movimentos de pinça nas mãos, fechou a boca, mastiga, engole, deixou de salivar e diminuiu a hiperatividade’’, diz, emocionado, ao lembrar que o garoto que antes não tinha mais reações neurológicas, já consegue até pegar uma bola no ar.
Este resultado, segundo ele, foi obtido com muito trabalho e estímulos sobre o garoto, numa bateria de atividades que envolvem fisioterapia, hidroterapia, acupuntura com estímulos elétricos e outras atividades, como sair muito e fazer o filho ter contato com outras pessoas.
Vitor tem uma doença degenerativa chamada de Gangliosidose GMI, rara e pouco conhecida que degenera o sistema motor e mental. O organismo do garoto não produz a enzima Beta-Galactose (B-D Galactosidase ou Tilactase), que em indivíduos normais atua no aparelho digestivo fazendo a digestão da galactose, transformando-a em glicose. Sem digerir a galactose, a substância vai acumulando no sistema nervoso, causando retardamento mental, perda de massa cinzenta do cérebro, degeneração motora e problemas visuais, entre outros.
O pai comemora também os resultados dos últimos exames feitos em Porto Alegre, que mostram que o nível desta enzima no corpo de Vítor ‘‘no mínimo duplicou nos últimos tempos’’. O nível mínimo de contagem da enzima no organismo é de 2,5, sendo normal ter entre 2,5 e 6 pontos. A média de Vítor há dois meses era de apenas 0,23.Vitor Guidi, de 10 anos, tem uma doença rara e apresentou melhoras depois de ter o caso divulgado na imprensa
Arquivo FolhaTRATAMENTOA família Guidi, antes de começar o tratamento do menino Vitor. Em três meses, garoto já teve recuperação acentuada e está servindo de exemplo para outras famílias

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