Londrina
‘‘Transforme sua dívida em mais casas.’’ Esse é o lema da campanha que a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) lançou ontem para a renegociação de dívidas dos mutuários com prestações em atraso. O índice de inadimplência é de 53,7% do total de mutuários. Quer dizer: 13.496 pessoas que devem R$ 21,210 milhões. A campanha tem início na segunda-feira e prossegue até o dia 31 de outubro, quando os devedores podem comparecer à Cohab para a renegociação.
O presidente da Cohab, Wilson Mandelli, explica que existem alguns mutuários que têm prestações consideradas altas. Mas, segundo ele, as prestações são de até R$ 50,00 em até 80% dos casos. ‘‘É mais barato que pagar aluguel na Cidade’’, afirma. São considerados inadimplentes mutuários com três ou mais parcelas em atraso. O débito mais longo registrado na companhia é de 42 prestações.
Quem comparecer à companhia para a renegociação terá quatro opções para quitar seu débito. No caso de liquidação antecipada, o mutuário terá desconto entre 30 e 50% do total do saldo devedor atualizado. Existe a possibilidade também de o inadimplente pagar 30% do débito e incorporar o restante no saldo devedor. Nestes dois casos, é permitida a utilização do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Se preferir, o mutuário pode pagar 15% do valor da dívida à vista e liquidar o restante do saldo em 40 vezes. O diretor-financeiro da Cohab, Paulo Franzon, observa que há também uma opção para o chamado contrato de gaveta: um imóvel que passa de um mutuário para outro sem, no entanto, estar regularizado na companhia.
Wilson Mandelli diz que a expectativa da campanha é de reduzir o índice de inadimplência para patamares considerados razoáveis - entre 3 e 7%. Paulo Franzon diz que, mesmo com o término da campanha, os inadimplentes continuarão sendo comunicados e convidados a comparecer para renegociação das dívidas. A execução judicial, segundo o diretor, é a última alternativa a ser utilizada pela Cohab.
O objetivo da campanha, segundo Wilson Mandelli, é fortalecer a companhia e investir na construção de mais moradias. Ele observa que a Cohab tem uma dívida vencida com a Caixa Econômica Federal (CEF) de R$ 25,7 milhões. ‘‘Hoje não temos condições de sequer negociar com a CEF’’, lamenta. Após acordo com a Caixa, a companhia poderá requerer novos financiamentos para construção de casas populares.
A diretoria da Cohab espera um fluxo grande de mutuários na Cohab a partir de segunda-feira. Por isso, montou uma estrutura especial para informar e orientar os inadimplentes sobre as opções de pagamento. ‘‘Apesar de inadimplentes, eles têm de ser bem atendidos’’, observa Paulo Franzon. Uma equipe de 14 funcionários trabalhará no esquema. Os mutuários podem comparecer na companhia das 8h30 às 17h30.

mockup