Campanha arrecada merenda escolar
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quarta-feira, 18 de maio de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Lápis, canetas, borracha e tempero. Este é o conteúdo do estojo do estudante Gabriel de Paula, 8 anos, do Centro de Atendimento Integrado à Criança (Caic), da Zona Sul. O ingrediente culinário faz parte do material escolar como forma de driblar a falta de merenda adequada. Há dois meses, a instituição de ensino está sem receber feijão e massa de tomate. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, o atraso no repasse é provocado pelos trâmites necessários para as compras.
''Tem que trazer o tempero na bolsa porque senão a salada fica muito ruim'', queixou-se Gabriel. Ele é filho da tesoureira da Associação de Pais e Mestres (APM) da escola, Chirlei Aparecida de Paula. Após tomar conhecimento da situação pelo filho, ela levou o problema à reunião ordinária da entidade. A solução definida foi uma campanha de arrecadação de alimentos junto à comunidade local. A resposta foi imediata. Em dois dias, pelo menos 60 quilos de feijão e 25 embalagens de massa de tomate foram recebidos.
''Muitas crianças passam o dia inteiro aqui. Elas dependem das refeições da escola. O último pacote de arroz será feito hoje (ontem). Esperamos que chegue mais logo'', revelou Chirlei. O estoque de alimentos da escola está praticamente no fim. Paradoxalmente, a quantidade de pacotes de macarrão é grande. A explicação é simples: sem massa de tomate, as cozinheiras preferem não servir a massa aos alunos. ''Se servir sem tempero, eles não comem e acaba perdendo bastante'', destacou a cozinheira Valdete Rodrigues da Silva.
Para a diretora-social da APM, Maria Helena dos Anjos, a situação é ainda mais grave porque a merenda escolar é a única refeição para muitas crianças da região. ''A maioria não tem o que comer em casa. Tem criança que vem para escola só pra comer'', constatou. E o número de estudantes atendidos pelo Caic é bastante alto: 1.450 alunos da pré-escola ao ensino médio. Por dia, são 1.200 refeições.
De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, o fornecimento de merenda deverá ser normalizado na segunda quinzena de maio. ''Comprar merenda é diferente de contratar obras. Se não servir hoje, não adianta ter o dobro de merenda no prato amanhã'', criticou o diretor-administrativo da Secretaria de Educação. A reportagem buscou informações no setor de compras da Gestão Pública, responsável pelo repasse dos produtos para as escolas, mas não obteve retorno até o fechamento da edição. A merenda é financiada em parceria pelos governos Federal e Municipal.
''Me sinto impotente com a situação. Em casa, meu filho teria a alimentação adequada. Mas aqui a escola não pode dar. Me sinto muito triste'', resumiu Chirlei. A escola está recebendo doações de alimentos. Os interessados em ajudar podem ligar para 3341-4411 para receber uma visita da kombi da instituição ou levar os donativos na Rodovia João Alves da Rocha Loures, 3.655.


