Campanha arrecada menos que esperado
Terminou ontem o prazo para pagamento de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) com perdão de juros e multas junto à prefeitura de Londrina. O último dia de campanha foi tranquilo, sem muitas filas, contrariando as expectativas de arrecadação previstas pela Secretaria Municipal de Fazenda.
Os pagamentos devem somar cerca de R$ 1,5 milhão aos cofres municipais. Francisco Simões, secretário responsável pela pasta, esperava arrecadar R$ 3 milhões. As pessoas não pagam porque desconfiam da finalidade que vamos dar a este dinheiro, afirmou.
O mestre-de-obras Ademar Silva Azevedo, atualmente desempregado, relatou que fez muitos bicos para levantar os R$ 250,00 que devia, relativos a três anos de impostos atrasados. Dei duro para conseguir o dinheiro, espero que ele seja bem empregado, disse.
Oa recursos arrecadados serão usados para o pagamento dos servidores municipais, que consomem R$ 10,5 milhões por mês. Cerca de R$ 200 mil mensais, resultantes dos parcelamentos, ficam garantidos até o final do ano.
Repetindo a tendência verificada na primeira fase da campanha, encerrada no dia 31 de julho, a maioria dos pagamentos foi feita por pequenos devedores.
Os maiores manifestaram pouco interesse na negociação, mas Simões ainda não sabe precisar quantos são. Só vou ter acesso à movimentação dos bancos na segunda-feira.
Ele adiantou, porém, que apenas dois grandes contribuintes o procuraram para dar satisfações. A Sociedade Rural do Paraná quitou um débito de R$ 169 mil e o Royal Golf havia se comprometido a pagar cerca de R$ 200 mil até o final da tarde de ontem.
Os resultados da campanha indicam que os 500 maiores devedores, representantes de apenas 0,25% do universo de contribuintes com pendências, são responsáveis por quase 60% do total da dívida, lamentou.
A prefeitura ainda tem R$ 102 milhões a receber. Após levantar os 500 grandes que continuam em débito, o secretário promete tomar medidas enérgicas. Vamos executar judicialmente todos aqueles que ainda não o foram. Com relação aos que já estão executados, vamos pedir agilidade no andamento dos processos.
A pressão dos fornecedores com quantias a receber também está desestabilizando os cofres públicos. Ontem, a Vega Sopave ameaçou suspender a coleta de lixo se não recebesse R$ 1 milhão referente a um dívida de R$ 6,4 milhões. Para evitar mais problemas, o secretário liberou R$ 500 mil.
Na quinta-feira, ele pagou R$ 293 mil a bancos que tinham feito empréstimos a funcionários municipais, para desconto na folha de pagamento. A administração anterior descontou o dinheiro dos salários e não repassou para os bancos, que passaram a pressionar os servidores. Isto é apropriação indébita, disse.
O mesmo problema vem sido verificado com os descontos normais da folha de pagamento, relativos à INSS, convênios e outros. As dívidas são altas porque o dinheiro era recolhido mas não chegava ao destino correto, disse o secretário.





