Lúcio Horta
De Londrina
A Campanha do Agasalho deste ano, em Londrina, teve um resultado que superou até mesmo as previsões mais otimistas. No total, foram arrecadados 30.454 cobertores, contra 11.268 do ano passado. A expectativa inicial era de no máximo 20 mil cobertores. Até ontem, a arrecadação beneficiou 12.175 famílias nas zonas rural e urbana, 97 entidades assistenciais e também os índios da reserva de Apucaraninha. Cada família recebeu em média dois cobertores.
‘‘A população acreditou bastante no nosso trabalho e isso ajudou muito no resultado’’, declarou ontem Cristina Barros, coordenadora do Provopar de Londrina, que organizou a campanha. Segundo ela, algumas inovações realizadas deste ano possibilitaram o salto no número de cobertores. A principal delas foi o lançamento do vale-cobertor, no valor de R$ 5,00, vendido no comércio e outras empresas da cidade.
Além disso, houve a implantação de um programa de telemarketing desenvolvido pela empresa Celta, em parceria com a Sercomtel: pessoas físicas ou empresas puderam comprar o vale-cobertor e teveram o valor descontado na conta telefônica. Somente por este sistema foram vendidos mais de 10 mil cobertores. ‘‘Fizemos uma campanha voltada para o cobertor, que é o elemento mais direto que atende a população’’, explicou a coordenadora do Provopar.
A distribuição dos cobertores começou no primeiro dia de junho na zona rural de Londrina e logo depois foi extendida para outros bairros, favelas, ocupações e assentamentos, além de também creches, hospitais, presídios, asilos, albergues e casas de apoio, entre outras entidades.
Para isso, todas as famílias de bairros carentes de Londrina, região por região, foram cadastradas. O trabalho contou com o auxílio de estagiárias dos cursos de Serviço Social e Administração da Universidade Estadual de Londrina (UEL), alunos da Universidade Norte do Paraná (Unopar), atiradores do Tiro de Guerra e integrantes da escola de formação de soldados do 5º Batalhão da Polícia Militar. O Cesulon também colaborou com trabalho de digitação do cadastro.
Até ontem, dos 30.454 cobertores arrecadados, 27.610 já haviam sido distribuídos. O restante seria levado ainda esta semana para alguns distritos do município. E não foram só cobertores: agasalhos e mais de 2,1 mil quilos de alimentos, também doados pela comunidade, foram recolhidos e ainda estão sendo distribuídos pela equipe da Provopar.
Para o ano que vem, Cristina Barros pretende lançar um desafio ainda maior: viabilizar a construção de uma creche para atender crianças carentes de Londrina. ‘‘É um sonho muito ousado. Mas se tivermos o mesmo resultado desse ano, é possível que a gente consiga realizá-lo’’, diz, observando que ainda não tem expectativa de custos ou localização da obra. ‘‘Tudo dependerá de estudos técnicos’’, diz.
Cristina Barros adianta que a população poderá colaborar com a obra comprando o ‘‘vale-creche’’, que deverá ser lançado no início do ano 2000. A coordenadora do Provopar acrescenta que ainda este ano pretende conversar com o prefeito Antonio Belinati (PFL) sobre o assunto. Ela acredita que o município possa contribuir com o projeto com a doação de uma área que abrigaria a creche.

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