Campanha anti-Aids será reforçada
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sexta-feira, 24 de abril de 1998
Anna Camanducaia 
A campanha de prevenção ao vírus HIV começa a ser reforçada na região Sul do País. Os índices de contaminação crescem mais na região Sul que nas demais regiões do País. O principal fator de crescimento no Sul é o uso de drogas injetáveis. Hoje, estima-se que o Brasil tenha de 400 mil a 500 mil portadores da doença. No Sul, até novembro de 1997, foram registrados 14.908 casos da doença.
O coordenador do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, Pedro Chequer, disse ontem que os principais alvos da campanha serão os jovens, as mulheres, a população de baixa renda e a rural.
Para os jovens, o Ministério prevê campanhas de rádio e televisão sobre drogas. O objetivo maior é a prevenção primária, diz Chequer. O projeto de troca de seringas será ampliado para evitar a contaminação entre os usuários. Países que adotaram este sistema tiveram bons resultados. Na Austrália, apenas 3% dos usuários de drogas injetáveis têm a doença. No Brasil, este número é de 40 a 50%, diz Chequer.
Os adolescentes contarão também com programas de prevenção nas escolas, que abordarão sexualidade, saúde, DST e Aids. As crianças também serão incluídas neste programa, mas os temas e as abordagens serão diferentes de acordo com as idades.
O número de mulheres com Aids está aumentando. No Sul, há uma mulher contaminada para cada dois homens com a síndrome. No Brasil, a proporção é de três para um. A transmissão de mãe para filho também é maior no Sul (7%). O índice no País é de 3%. O Ministério oferecerá teste para gestantes e, se o resultado for positivo, colocará medicamentos à disposição. Para as mulheres, haverá ainda um programa voltado para as profissionais do sexo.
As ações visando a população de baixa renda e a rural serão desenvolvidas no ambiente de trabalho e serão dirigidas principalmente aos homens. O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) capacitará agentes para trabalhar nos acampamentos e nos assentamentos. Hoje, o ministério já tem quatro projetos nacionais com o MST, um deles no Paraná.


