Londrina – Foram apenas alguns segundos de distração e o churrasquinho entre amigos em agosto do ano passado quase terminou em tragédia em Cascavel (Oeste). Os filhos da dona de casa Luciele Pinheiro Klein brincavam com um primo no quintal da casa e o fogo do gengis khan já estava quase no fim quando ela resolveu usar um litro de álcool para reavivá-lo. "O litro explodiu! Foi um susto muito grande para todos", contou.
As chamas atingiram a dona de casa, os dois filhos [um de 2 anos e outro de 7] e o sobrinho de 11 anos. O filho menor, Pedro Jorge Klein, sofreu ferimentos mais graves nas pernas, nas costas e nas mãos. Ele foi atendido em Cascavel e transferido para o HU de Londrina, onde ficou mais de 20 dias internado. "Foi um desespero só. Não desejo isso para ninguém. Só quem passa por isso sabe a dor que é", afirmou, com Pedro Jorge nos braços. O menino tímido olha com tristeza para os dedos das mãos e se recupera do trauma. "Ele ficou mais agitado", confessou a mãe. As viagens para Londrina já fazem parte da rotina da família.
Pacientes de todo o Paraná são encaminhados diariamente para o Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Universitário de Londrina. O setor funciona desde 2007 e é o único do interior do Estado. Nesta semana, o HU dá início à Campanha de Prevenção a Queimaduras, com a distribuição de materiais didáticos para conscientizar adultos e crianças sobre os riscos de acidentes domésticos e de trabalho.
Segundo o chefe médico do Centro de Tratamento de Queimados, Reinaldo Kuwahara, grande parte dos acidentes com crianças acontece dentro de casa. "É a mãe com a criança no colo fazendo uma refeição ou é a criança que está por perto quando a mãe está preparando a comida e a criança acaba se ferindo. Ou ainda quando a mãe sai da cozinha e a criança resolve puxar a panela", relatou. No ano passado, dos 172 pacientes que permaneceram internados no CTQ, 52 eram menores de 12 anos. Mais de 1.300 atendimentos foram feitos no ambulatório do setor.
Entre os adultos, os casos mais comuns de queimadura ocorrem na hora de reacender a churrasqueira. "É nessa hora, nessa pressa, que o vidro de álcool explode na mão do futuro paciente, causando queimaduras graves. Há casos inclusive de morte. Algumas pessoas usam até álcool e gasolina de postos de combustíveis para reacender a churrasqueira ou para queimar lixo. Isso é muito perigoso", alertou o médico. O tempo de internação varia de acordo com a gravidade do ferimento. Em geral, os pacientes permanecem no CTQ de duas semanas a quatro meses. Já o acompanhamento médico continua durante anos.
Em 2014, 19 pessoas não resistiram aos ferimentos.
As ações de conscientização promovidas pela equipe do Hospital Universitário serão realizadas ao longo do ano, com palestras em escolas e outras atividades didáticas. "São orientações que fazem toda a diferença. Não deixar o cabo da panela virado para fora do fogão é uma das recomendações. Colocar protetor nas tomadas também evita acidentes com crianças. Os adultos podem utilizar um aparelho elétrico para acender a churrasqueira ou um papel embebido em óleo, por exemplo", ensinou Kuwahara.
Ao perceber que alguém acaba de sofrer uma queimadura, é necessário abafar o fogo com pano úmido, nos casos mais graves, lavar o ferimento com água corrente, cobrir o local com pano limpo e procurar atendimento médico. "Não pode passar babosa, creme ou outro tipo de medicamento sem antes ser atendido por um médico. O ideal também é que o paciente fique em jejum, sem tomar água. Depois de medicado, o paciente pode sentir náusea e vomitar. Caso ele tente respirar ao mesmo tempo, o líquido dado antes do atendimento pode ir para o pulmão e causar a morte", alertou.

Serviço
Campanha de Prevenção a Queimaduras
Lançamento hoje, das 10h às 22h, no Londrina Norte Shopping
Apresentação de filmes educativos e outros materiais com orientações para evitar acidentes

mockup